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Caso Master: Fictor usou títulos de banco extinto

Por Alexandre Gomes

Grupo é vinculado à tentativa de comprar a instituição financeira que acabou liquidada pelo BC

A Fictor Invest usou títulos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). A empresa de investimentos integra a Fictor Holding, que, por sua vez, é vinculada à tentativa frustrada de compra do Master.

A informação sobre utilização de ativos do Besc foi divulgada nesta sexta-feira, 9, pelo portal UOL. A situação ocorreu em novembro de 2021, quando a Fictor Invest ainda adotava o nome One Off. Na ocasião, a empresa, controlada por Luiz Philippe Rubini, registrou aumento de capital de R$ 30 milhões, justamente a partir de papéis do Besc. Em 2023, no entanto, a empresa trocou tais ativos por moeda corrente (ou seja, real).

Rubini foi um dos sócios da Fictor Invest (ele, que nunca participou da Fictor Holding, deixou a sociedade da empresa de investimentos em dezembro de 2024). Por meio do veículo de investimentos RPR, o grupo tentou comprar o Banco Master. A negociação, no entanto, nem chegou a ser avaliada pelo Banco Central (BC). A autarquia monetária determinou a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro de 2025.

Antes da liquidação do Master, a Fictor Holding chegou a divulgar que a compra do banco de Daniel Vorcaro se daria em conjunto com um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. Uma vez validada a aquisição, os investidores prometiam um aporte inicial de R$ 3 bilhões no Master.

“A operação representa o passo de entrada da Fictor no mercado financeiro brasileiro”, afirmou na ocasião Rafael Góis, um dos sócios da Fictor Holding, segundo a Agência Estado. “Seguimos alinhados às melhores práticas de governança, com foco na distribuição de produtos sólidos e desenhados para responder com precisão às demandas do mercado nacional. Mantemos o que sempre guiou nossa trajetória: investir na economia real.”

Posicionamento da Fictor

A Oeste, a Fictor, por meio de sua assessoria de imprensa, afirma que que os títulos do Besc estão relacionados à Fictor Invest, não tendo relação com o RPR, que formalmente tentaria comprar o Master.

“O sócio Phillippe Rubini aportou R$ 32 milhões em dinheiro na Fictor Invest”, afirmou o grupo, ao UOL. “Portanto, os títulos do Besc não constam mais do balanço da empresa.”

A Fictor Invest também garante que os papéis não serviram para inflar o seu próprio capital.

Títulos do Besc

Criado no início da década de 1960, o Besc foi um banco público gerido pelo governo de Santa Catarina — a exemplo do que foi o Banespa em São Paulo. A instituição foi adquirida pelo Banco do Brasil (BB) em 2008. O valor da operação foi de R$ 685 milhões.

Com o passar dos anos, a operação do Besc foi sendo incorporada ao BB. Os ativos do banco catarinense passaram a ser considerados títulos podres, sem chances reais de retorno por parte dos investidores. A Fictor informa que se desfez desses ativos “assim que percebeu a confusão”.

Liquidação do Master

A liquidação do Master se deu em meio a investigações da Polícia Federal que estimam fraude de R$ 12 bilhões ao mercado financeiro do país. Antes da negociação com o PRP, Vorcaro tentou vender a instituição financeira para o Banco Regional de Brasília (BRB). O BC, entretanto, vetou a compra pelo BRB.

Horas antes do anúncio da liquidação do Master, Vorcaro foi preso, ao tentar embarcar do Aeroporto de Guarulhos (SP) para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele permaneceu atrás das grades por 12 dias, quando foi solto a mando da desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Desde então, o banqueiro cumpre medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.

Em meio às polêmicas envolvendo o Master, surgiu a informação de que o banco tinha contrato de prestação de serviços com o escritório da advogada Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O acordo indica o pagamento total de R$ 129 milhões, que seriam diluídos em 36 parcelas mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões.

Além disso, denúncia divulgada nesta semana indica a contratação de influenciadores digitais para promover críticas ao Banco Central pela decisão de liquidar o Master. Vorcaro nega que tenha relação com esse caso.

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