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Agricultores franceses fazem bloqueio em porto contra acordo Mercosul-UE

Por Alexandre Gomes

Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola, principal organização dos agricultores do país, anunciou que vai “prosseguir maratona de mobilizações para obter resultados concretos”

Centenas de agricultores passaram a noite do sábado (10) na entrada do porto de Le Havre, no noroeste da França, e montaram neste domingo (11) uma barreira para controlar a entrada de caminhões em protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado na sexta-feira (9).

A ação, que começou no sábado, visa controlar produtos alimentares que entram e saem do porto, segundo informações da imprensa local.

Os manifestantes pretendem bloquear a passagem de alimentos que não respeitem as normas sanitárias e ambientais impostas aos produtores franceses e europeus.

O secretário-geral dos Jovens Agricultores de Seine-Maritime, Justin Lemaître, explicou à rádio Franceinfo que a operação visa se preparar para segunda-feira, quando são esperados cerca de 5 mil caminhões por dia no local. Ele acrescentou que não há “oposição direta” das forças de segurança, que acompanham a ação à distância.

As manifestações ocorrem simultaneamente em diversos pontos da França neste domingo.

Na Saboia, cerca de 50 agricultores bloqueiam desde quinta-feira o depósito de petróleo de Albens, na comuna de Entrelacs. Barreiras também estão montadas nas rodovias A63, em Bayonne, e A64, em Carbonne, ao sul de Toulouse.

A mobilização francesa faz parte de uma série de protestos na Europa nos últimos dias. Na sexta-feira, também houve protestos na Polônia e na Itália, seguidos por ações na Irlanda e na Espanha no sábado.

Federação promete “maratona de mobilizações”

Em comunicado, a Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola (FNSEA), principal organização dos agricultores do país, anunciou que vai “prosseguir sua maratona de mobilizações para obter resultados concretos”.

O documento reconheceu avanços pontuais nas negociações com o governo, “notadamente sobre o apoio aos setores em crise (grandes culturas e viticultura)”, mas criticou a ausência de medidas estruturantes.

A organização delineou uma estratégia em três etapas para as próximas semanas. Primeiro, realizar controles de produtos importados nos portos e rodovias. “Se a Europa se recusa a controlar as importações, os agricultores cuidarão disso”, declarou a FNSEA no documento.

A segunda etapa da estratégia prevê uma mobilização em Estrasburgo. A FNSEA e os Jovens Agricultores convocaram um grande protesto para 20 de janeiro em frente ao Parlamento Europeu. Segundo o comunicado, a ida a Estrasburgo visa “prosseguir o combate contra o acordo UE-Mercosul”, lembrando que parlamentares “dispõem de alavancas jurídicas e políticas”.

A terceira frente de ação envolve a apresentação de uma proposta de lei sobre soberania alimentar. “A FNSEA lembra que os agricultores precisam de uma visão clara da política agrícola conduzida pela França para alcançar a soberania alimentar”, afirma o comunicado.

A ratificação do acordo comercial ainda depende de uma votação no Parlamento Europeu. A assinatura do acordo está prevista para o próximo sábado, no Paraguai.

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