Depois de anos de negociações, blocos sul-americano e europeu acertaram acordo de livre comércio na última semana
O Brasil precisa atacar os problemas que minam a competitividade da indústria, sobretudo a de transformação, na competição internacional para aproveitar as oportunidades do acordo entre o Mercado do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), cuja assinatura está prevista para o próximo sábado, 17. Se não for assim, a abertura de mercado a concorrentes europeus representa um risco para o setor. A avaliação é do presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso.
“Se, por um lado, é bom para o consumidor final, porque os produtos ficarão mais baratos, e para o agronegócio, porque o agro brasileiro tem uma competitividade melhor, esse acordo é um risco para a indústria de transformação”, avalia Velloso.
Para o presidente-executivo da Abimaq, o Brasil terá que enfrentar deficiências que aumentam o custo de produção no país, como impostos e juros altos e melhorar o ambiente de negócio, assim como a situação macroeconômica, para transformar um risco em oportunidade.
“Aí, sim, todos os setores da economia poderão aproveitar melhor a oportunidade que se abre no grande mercado europeu”, comenta Velloso.
Indústria da transformação não é a única a reclamar do acordo Mercosul-UE
Em nome da indústria de transformação brasileira, o presidente-executivo da Abimaq não é o único a contestar pontos do acordo Mercosul-UE. Há reclamações dentro e fora do Brasil.
Produtores rurais brasileiros chamaram a atenção para o fato de que, por parte da União Europeia, benefícios tarifários poderem ser suspensos caso seja considerado que algum setor local — o europeu, no caso — seja prejudicado. Além disso, carnes bovina e de frango irão contar com cotas de exportação.
O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, Rodolfo Nogueira (PL-MS), lamentou a forma como a negociação que durou anos avançou. De acordo com ele, a promessa de livre mercado entre os blocos sul-americano e europeu “simplesmente não se concretizou”.
Na Europa, agricultores, sobretudo os franceses, acreditam que serão prejudicados. Como forma de protesto, um grupo de produtores bloqueou o acesso de mercadorias Porto de Le Havre, no noroeste da França.