Recursos teriam sido direcionados a fundos da Reag, diz Banco Central
Uma empresa com capital social de R$ 2,2 milhões tomou um empréstimo de R$ 459 milhões do Banco Master e direcionou os recursos para fundos administrados pela Reag Asset Management, segundo denúncia do Banco Central (BC) ao Ministério Público Federal (MPF). A empresa é a Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias, citada pela primeira vez como integrante de um suposto esquema de ciranda financeira com o banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.
De acordo com a denúncia, o empréstimo foi concedido em abril de 2024. No mesmo dia, o dinheiro foi transferido para o Brain Cash Fundo de Investimento Financeiro Multimercado, que tem a própria Brain Realty como única cotista e é administrado pela Reag. Poucas horas depois, os recursos seguiram para outro fundo da mesma gestora, o D Mais.
Empresa ligada ao Master valorizou seu capital social em 22 mil vezes
O capital social da Brain Realty passou de R$ 100 para R$ 2,2 milhões em dezembro de 2023, quatro meses antes da liberação do empréstimo. A reunião que aprovou o aumento foi presidida por João Carlos Mansur, fundador da Reag, que deixou a empresa depois da operação Carbono Oculto, da Receita Federal, que investiga o uso de fundos ligados à gestora pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Folha, seis fundos associados ao grupo criminoso estão entre os investigados no caso Master.
O fundo D Mais tinha como principal ativo certificados físicos de ações do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Conforme os investigadores, os papéis, de baixo valor, eram registrados nos fundos por preços muito superiores aos de mercado, o que inflaria artificialmente o patrimônio e permitiria novas movimentações financeiras.
A suspeita é que os recursos tenham circulado entre fundos até chegar a carteiras em nome de “laranjas” ligados a Vorcaro. Segundo a denúncia, o esquema pode ter lavado ao menos R$ 11,5 bilhões. Os valores teriam origem em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) vendidos a investidores pelo Master e usados para financiar empréstimos às empresas que abasteciam os fundos.
A Brain Realty tem como presidente Marisa Nassar, ex-funcionária da Reag. Procurada pela Folha, ela afirmou que não poderia comentar e indicou Leonardo Donato, ex-executivo da Reag até 2023 e administrador da Blum Capital Partners, sócia da Reag Asset Management. Donato informou que não irá se manifestar. A assessoria do Master também foi procurada, mas não respondeu.
As apurações integram um conjunto de denúncias do BC ao MPF sobre indícios de irregularidades na atuação do Master. Uma delas envolve a revenda de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes ao Banco de Brasília (BRB), segundo os investigadores.