O deputado federal Evair Vieira de Melo (PL-ES) protocolou um pedido no Tribunal de Contas da União (TCU) na última sexta-feira (6) solicitando esclarecimentos sobre a gestão dos Correios. Segundo o parlamentar, há “indícios alarmantes” de má administração e possíveis atos ilícitos na estatal, que registrou um déficit de R$ 2 bilhões até setembro de 2024.
Caso a tendência continue, o prejuízo da empresa poderá superar os R$ 2,1 bilhões registrados em 2015, durante o governo Dilma Rousseff. O deputado destacou a importância de uma análise rigorosa do TCU para esclarecer as causas do rombo financeiro.
Medidas para conter a crise
Os Correios, sob a liderança de Fabiano Silva dos Santos, indicado por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adotaram ações de austeridade para enfrentar a crise:
- Teto de gastos: Limitado a R$ 21,96 bilhões, anunciado em outubro de 2024.
- Suspensão de contratações: Paralisação de contratações de pessoal terceirizado por 120 dias.
- Renegociação de contratos: Redução de valores acordados em pelo menos 10%, incluindo contratos de aluguel.
- Ajuste na previsão de receita: Revisada para R$ 20,1 bilhões em 2024, representando um aumento de apenas 1,5% em relação a 2023.
Entre as questões investigadas pelo TCU estão a desistência dos Correios de recorrer em ações trabalhistas, o que soma cerca de R$ 1 bilhão, e a assunção de uma dívida de R$ 7,6 bilhões ao Postalis, fundo de pensão dos funcionários.
Evair Vieira de Melo enfatizou a necessidade de transparência e afirmou que a situação exige uma resposta clara da gestão atual:
“A população brasileira merece saber o que está acontecendo. Precisamos proteger o patrimônio público de gestões que possam comprometer a saúde financeira de uma empresa tão estratégica.”
A análise do TCU poderá trazer novos desdobramentos sobre as causas e responsabilidades relacionadas à situação dos Correios, enquanto a crise da estatal continua alimentando o debate político no Brasil.