Empresas de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, registradas na zona oeste de São Paulo, não estariam funcionando nos endereços declarados, segundo reportagem do site Metrópoles. O prédio comercial onde constam registradas a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia estaria com as salas vazias há cerca de sete meses.
Antes de ficarem desocupadas, os espaços teriam sediado uma certificadora digital e uma organização social da área da saúde. Conforme registros oficiais, as empresas atuam principalmente em suporte técnico, manutenção e serviços de tecnologia da informação.
Movimentações financeiras
Documentos obtidos por meio de quebra de sigilo bancário, enviados à CPMI do INSS, indicam que, entre 2022 e 2025:
- A LLF Tech Participações teria transferido mais de R$ 2 milhões a Lulinha.
- A G4 Entretenimento e Tecnologia teria repassado R$ 772 mil.
No total, as movimentações bancárias atribuídas ao período somariam cerca de R$ 19 milhões em quatro anos.
A defesa de Lulinha sustenta que o endereço registrado serve apenas para correspondência e que a LLF Tech não possui escritório externo, tendo como sede a residência do empresário até sua mudança para o exterior. Em relação à G4, a defesa afirma que a empresa não está mais em atividade, mas possui créditos judicializados a receber.
Segundo os advogados, os valores divulgados não representariam lucro líquido, mas a soma de entradas e saídas financeiras, podendo incluir transferências repetidas. A defesa afirma que, dos R$ 19 milhões movimentados, cerca de R$ 9,6 milhões permaneceram com Lulinha, enquanto o restante foi transferido a outras contas.
Contexto das investigações
Lulinha é citado na CPMI do INSS, que investiga supostas fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários. Ele também é mencionado em apurações que envolvem Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Segundo reportagens, ambos viajaram a Portugal para visitar uma fábrica de cannabis medicinal. A Polícia Federal analisa registros que mencionam um suposto pagamento de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”. Um ex-funcionário do lobista teria afirmado que o repasse seria destinado a Lulinha por meio de empresa ligada ao setor de cannabis.
A defesa nega qualquer envolvimento de Fábio Luís nas irregularidades investigadas e afirma que os esclarecimentos serão prestados às autoridades competentes. As investigações seguem em andamento.