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quarta-feira, 14 janeiro, 2026
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Varejo brasileiro fecha 2025 com queda, aponta Índice do Varejo Stone

Por Alexandre Gomes

Desempenho anual mostra desaceleração progressiva do setor, por crédito mais difícil e endividamento das famílias

O varejo brasileiro encerrou o ano de 2025 com retração de 0,5% no volume de vendas em relação a 2024, segundo dados do Índice do Varejo Stone (IVS), refletindo o esgotamento dos fatores que sustentaram o consumo ao longo do ano, segundo Guilherme Freitas, economista da Stone.

“Apesar do mercado de trabalho ter permanecido robusto, o ambiente financeiro mais restritivo, com juros elevados, crédito mais caro e endividamento alto das famílias, limitou o espaço para novas compras, especialmente de bens de maior valor”, explicou Freitas.

O indicador, que acompanha mensalmente a movimentação do comércio no país, também registrou queda de 1,5% em dezembro de 2025 comparado ao mesmo período de 2024 e recuo de 0,9% nas vendas de dezembro em relação com novembro.

Quarto trimestre indica perda de tração

No último trimestre de 2025, o volume de vendas do varejo caiu 1,7% em relação ao mesmo período de 2024 e recuou 0,9% frente ao terceiro trimestre do ano. Segundo Freitas, o desempenho evidencia os limites do impulso vindo do mercado de trabalho. “Mesmo com desemprego historicamente baixo, o comprometimento da renda das famílias com dívidas e a piora nas condições de crédito pesaram no orçamento, restringindo o consumo no fim do ano”, afirma.

Segmentos

No acumulado do ano, quatro segmentos apresentaram alta: Móveis e Eletrodomésticos avançou 2,4%; Artigos Farmacêuticos (1,5%); Material de Construção (0,9%) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,3%).

Na outra ponta, registraram queda Combustíveis e Lubrificantes (-5,7%), Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (-4,6%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-4,3%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (-0,4%).

Em dezembro, apenas três dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento: Material de Construção (1,7%), Artigos Farmacêuticos (0,6%) e Combustíveis e Lubrificantes (0,3%).

Entre os setores com retração, destacam-se Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-5,5%), Tecidos, Vestuário e Calçados (-3,4%) e Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (-3,2%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,5%) e Móveis e Eletrodomésticos (0,1%).

Desempenho regional

No recorte regional, apenas Piauí (2,3%), Alagoas (1,2%) e Rondônia (1,1%) tiveram crescimento anual nas vendas do varejo. Por outro lado, Mato Grosso do Sul (-5,9%), Amazonas (-5%), Ceará (-4,4%), Tocantins (4,3%), Espírito Santo e Rio Grande do Sul (4,2%) lideraram as retrações

“Os poucos destaques positivos se concentraram de forma pontual no Nordeste, com avanço no Piauí e em Alagoas, além de um resultado isolado no Norte. No caso do Nordeste, o desempenho mais favorável reflete uma resiliência maior do consumo essencial, menos dependente de crédito e mais apoiada em fontes recorrentes de renda. Ainda assim, trata-se de um movimento restrito, que não se espalha pela região como um todo. Em contrapartida, a maior parte dos estados do país registrou retração nas vendas, com quedas mais intensas no Centro-Oeste e resultados negativos no Sudeste e no Sul, refletindo um ambiente de condições financeiras mais restritivas para as famílias”, Freitas.

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