Pela primeira vez desde janeiro de 2025, o barril ultrapassou US$ 80, reacendendo discussões sobre impactos no Brasil e no mundo
O aumento expressivo do preço do petróleo no mercado internacional, registrado nesta terça-feira, 3, elevou o valor do Brent ao maior patamar em 14 meses, impulsionado pelo fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã.
Pela primeira vez desde janeiro de 2025, o barril ultrapassou US$ 80, reacendendo as discussões sobre possíveis impactos para a inflação brasileira e para a economia mundial.
No início do pregão, o Brent apresentou valorização de 9%, mas encerrou o dia com alta de 4,7%, cotado a US$ 81,40 por barril, em Londres.
O WTI, referência em Nova York, também teve acréscimo de 4,7%, encerrando a US$ 74,56 por barril.
Desde o agravamento do conflito no Oriente Médio, no último fim de semana, a alta acumulada atingiu 13%.
Reações do mercado e perspectivas para o preço do petróleo
Durante o dia, o Brent chegou a atingir US$ 85,12, o maior valor desde julho de 2024.
As cotações recuaram depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que o esforço militar destruiu alvos navais e aéreos iranianos.
A consultoria Argus prevê que, mesmo com a interrupção do tráfego em Hormuz, o Brent deve oscilar ao redor de US$ 80 por barril em março, caindo para a casa dos US$ 70 no próximo mês.
A seguradora Allianz compartilha projeções semelhantes. Em seu cenário principal, o barril alcançaria um pico de US$ 85, fechando 2026 a US$ 70.
“Se a infraestrutura energética for destruída, o Brent pode saltar para US$ 130 por barril de petróleo”, ressalta a seguradora em relatório.
Impactos para o Brasil e política de preços da Petrobras
Analistas avaliam que o Brasil, atualmente exportador de mais da metade do petróleo que produz, está mais apto a enfrentar choques externos do que no passado, sendo dependente de importação principalmente de diesel e GLP.
A Petrobras afirma que não repassa oscilações momentâneas ao mercado interno e só realiza ajustes quando o preço se consolida em um novo patamar.
A crise recente tem afetado mais o mercado de diesel do que o de gasolina, com contratos futuros do primeiro subindo 10% nos Estados Unidos, atingindo o maior valor desde outubro de 2023, enquanto os contratos futuros da gasolina subiram 4%, alcançando o maior nível desde julho de 2024.
No início do pregão desta terça-feira, 3, o diesel vendido nas refinarias da Petrobras estava R$ 0,83 por litro abaixo da paridade de importação calculada pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), valor próximo ao pico de R$ 0,87 registrado antes do último reajuste, em janeiro de 2025.
Caso a alta internacional persista, a estatal poderá ser pressionada a revisar seus preços.