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quinta-feira, 25 julho, 2024
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Luxo à prova de tempestades: Setor mantém crescimento firme mesmo em meio ao caos

Por Alexandre G.

A valorização do LVMH ultrapassou os 12%, marcando a maior capitalização já registrada na França, impulsionada por um aumento de 9% nas vendas e 8% nos lucros, mesmo em meio a um “contexto perturbado” nos mercados internacionais, conforme comunicado do grupo. Mesmo diante da desaceleração da economia chinesa no terceiro trimestre, o desempenho manteve-se robusto, contrariando a tendência observada em crises anteriores.

O mercado chinês, que impulsionou o setor de luxo na última década, apresentou incertezas em 2023. No entanto, as vendas na China continuaram a crescer, pelo menos 3% ao longo do ano. Parece que o setor de luxo e sua clientela vivem em uma esfera à parte, imunes aos desafios enfrentados pelo resto do mundo.

Gedeão Locks, especialista em tributação e desigualdades, destaca que o período pós-pandemia viu um aumento nas desigualdades, com a renda no topo da pirâmide crescendo mais rápido do que na base. No entanto, o setor de luxo, abrangendo desde vestuário até saúde, imobiliário e automotivo, demonstra uma notável resiliência às crises. Mesmo com a inflação impactando os preços, a elite continua disposta a pagar valores elevados por produtos de luxo.

O mercado de luxo no Brasil, embora ainda pouco significativo em comparação com outros países, está em expansão, movimentando R$ 74 bilhões em 2022, com projeções de atingir R$ 133 bilhões até 2030, segundo a Bain & Company. No entanto, esse crescimento não reflete um desenvolvimento geral e simboliza um aumento nas desigualdades no país.

Locks observa que sociedades mais desiguais frequentemente apresentam um desejo maior por ostentação e diferenciação, representados por marcas de luxo. No Brasil, o aumento da renda do top 1% mais rico, conforme apontado por um estudo do Ipea, está relacionado a um desejo crescente de ostentação.

Apesar de iniciativas de alguns ultrarricos, como Bill Gates e Abigail Disney, pedindo por uma maior tributação, Locks destaca que muitas vezes essas ações são hipócritas, já que as empresas que geram suas fortunas encontram maneiras de evitar impostos. Os lobbies, segundo ele, atuam contra a tributação e a favor da preservação de paraísos fiscais, mecanismos de sonegação fiscal.

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