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segunda-feira, 17 junho, 2024
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Paulo Salomão: O advogado que derrubou a 777 e abalou os bastidores do Vasco

Por Marina B.

O vice-presidente do Vasco, Paulo Cesar Salomão Filho, é uma figura chave no sucesso inicial da estratégia de Pedrinho e sua equipe, que conseguiram uma decisão liminar para afastar a 777 do controle da SAF. Mas quem é o advogado e por que ele se tornou decisivo na disputa judicial? Salomão é um dos seis advogados que assinam a ação do Vasco pedindo a suspensão dos efeitos do contrato com a 777. O juiz Paulo Assed Estefan atendeu ao pedido na quarta-feira. Braço direito de Pedrinho na gestão do clube, Salomão recebeu a missão de proteger e melhorar a imagem do Vasco perante instituições judiciais, governamentais e esportivas, graças às suas boas relações.

Na entrevista coletiva de quinta-feira em São Januário, Salomão estava ao lado de Pedrinho e do VP jurídico do clube, Felipe Carregal Sztajnbok, e explicou o viés jurídico da retomada do controle provisório do futebol pelo Vasco.

Conversou-se com várias pessoas que trabalharam com Salomão para traçar seu perfil. Mesmo opositores da gestão de Pedrinho atestaram a competência do advogado e disseram que ele é bem-intencionado. O prestígio na área judicial não é novidade na família. Ele é filho de Paulo Cesar Salomão, falecido em 2008 e ex-desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que dá nome a um dos prédios do TJ-RJ. “A influência dele, em parte, vem do pai”, diz uma pessoa que conhece Salomão há anos.

  • Meu pai faleceu jovem, com 57 anos, mas me deixou muitas lições, muito carinho e respeito. Me ensinou ética e amor ao Vasco. Toda a minha família virou Vasco por causa dele. Quando me chamaram para compor a chapa, com Pedrinho, Felipe e Edmundo, meus três maiores ídolos, não pude negar. É um projeto que eu já tinha de ajudar o Vasco – contou Salomão em entrevista à Sempre Vasco TV. – Sempre ajudei o Vasco, exceto quando estava no Tribunal Desportivo, onde precisava ser independente para julgar – completou.

Embora a entrada de Salomão nos tribunais seja incontestável, há quem questione o movimento atual do clube, liderado por ele:

  • Ele teve 100% de influência na decisão contra a 777. Mas a estratégia que está executando é arriscada, colocando todas as fichas em uma jogada única. Isso pode prejudicar o Vasco. Nenhum advogado considera essa decisão bem fundamentada.

Sobrinho de Luis Felipe Salomão, ministro do Superior Tribunal de Justiça e corregedor nacional de Justiça, Salomão também é amigo do advogado Eduardo Martins, filho de Humberto Martins, ex-presidente do STJ. Humberto suspendeu a decisão do TJ-RJ que autorizava a eleição presencial no Vasco em 2020, onde Leven Siano recebeu mais votos na eleição presencial que não terminou. Uma semana depois, Jorge Salgado venceu a eleição on-line, e a Justiça confirmou sua vitória.

  • Ele também foi efetivo na questão da urna 7 – recorda outra fonte.

Esse episódio ocorreu na eleição de 2017, quando a Justiça suspendeu os votos da urna 7. Sem esses votos, a chapa “Sempre Vasco Livre” de Julio Brant ficou em primeiro lugar, mas a eleição ainda era indireta, e Brant perdeu para Alexandre Campello no Conselho Deliberativo.

Além de sua influência no STJ e TJ-RJ, Salomão também tem trânsito no tribunal desportivo, onde atuou por 20 anos, incluindo a presidência do STJD. Tem boa relação dentro da CBF.

  • Tenho ótimas referências dele como auditor, sempre cordial e tecnicamente impecável. Ele é muito respeitado – resume outra fonte.

No fim do ano passado, a SAF, antes do atrito com a 777, usou a influência de Salomão. Um mês antes de assumir como vice-presidente, ele se reuniu com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e ajudou a liberar patrocínios via lei de incentivo fiscal para as categorias de base e futebol feminino do Vasco. “Foi uma boa estratégia do Pedrinho trazê-lo para o Vasco, prevendo o que estava por vir.”

O confronto com a 777, cujo capítulo mais recente teve a contribuição de Salomão, continua com a ação judicial que afastou a empresa do controle da SAF.

  • Fizemos uma due diligence nos Estados Unidos, mostrando a preocupante situação financeira da 777 e seus sócios. Isso nos gerou ainda mais preocupação com a situação no Vasco. Notificamos, e eles responderam vagamente. Há um artigo da lei que permite pedir garantias em caso de risco financeiro. Soubemos que havia risco de penhora das ações. Pedimos diversas vezes acesso às informações – explicou Salomão.

O próximo passo é a formação da arbitragem, com mediação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para julgar o litígio. Salomão também atua nessa frente, e a situação deve avançar nos próximos dias. A 777 Partners informou que vai recorrer da decisão.

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