Dólar Hoje Euro Hoje
quinta-feira, 23 abril, 2026
Início » Sem agenda com governo Trump, senadores brasileiros fazem reunião sozinhos em hotel nos EUA

Sem agenda com governo Trump, senadores brasileiros fazem reunião sozinhos em hotel nos EUA

Por Alexandre Gomes

Cinco dos oito senadores brasileiros enviados a Washington para tentar reverter a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos do Brasil iniciaram os trabalhos com uma reunião solitária, neste sábado (26), em um hotel da capital norte-americana — sem qualquer interlocutor oficial do governo Trump presente.

Estiveram no encontro os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Marcos Pontes (PL-SP), Tereza Cristina (PP-MS), Esperidião Amin (PP-SC) e Fernando Farias (MDB-AL). Segundo a assessoria de Trad, o grupo realizou uma “reunião preparatória” para tentar “reabrir canais institucionais entre os poderes legislativos do Brasil e dos EUA”, em meio à escalada protecionista dos norte-americanos.

No mesmo dia em que os parlamentares se reuniam sozinhos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciava um novo acordo comercial com a União Europeia: tarifas reduzidas a 15% em troca de investimentos de US$ 600 bilhões — dos quais US$ 150 bilhões devem ser direcionados ao setor energético.

Comitiva sem acesso à alta cúpula dos EUA

Até o momento, não há qualquer confirmação de encontro entre os senadores brasileiros e integrantes do alto escalão do governo norte-americano. A delegação brasileira desembarcou nos EUA sem agenda oficial com interlocutores do Executivo local, o que evidencia o atual distanciamento diplomático entre os dois países.

A embaixadora Maria Luiza Viotti, que acompanha os parlamentares em Washington, também enfrenta dificuldades de acesso junto ao núcleo duro da administração Trump. Segundo fontes diplomáticas, Viotti deverá ser a principal responsável pela logística da missão, ainda sem previsão de reuniões diretas com o Departamento de Estado ou com a Casa Branca.

O grupo deve permanecer nos Estados Unidos até quarta-feira (30), véspera da entrada em vigor das tarifas, que impactam setores estratégicos da economia brasileira, como o agronegócio e a mineração. A agenda preliminar da segunda-feira (28) prevê apenas um café da manhã com diplomatas brasileiros e encontros com representantes do setor privado local.

Críticas de Eduardo Bolsonaro

A missão tem sido duramente criticada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por exemplo, classificou a comitiva como “ilegítima” e “fadada ao fracasso”. Segundo ele, os senadores não falam em nome do ex-presidente — nem representam a posição oficial do Brasil perante o governo Trump.

“Buscar interlocução sem que o país tenha feito sequer o gesto mínimo de retomar suas liberdades fundamentais (…) é vazio de legitimidade”, afirmou Eduardo Bolsonaro em publicação nas redes sociais. Para ele, sem mudanças internas na política brasileira, qualquer tentativa de diálogo internacional é inócua.

Os outros três senadores — Carlos Viana (Podemos-MG), Jaques Wagner (PT-BA) e Rogério Carvalho (PT-SE) — chegaram aos EUA no domingo (27) e devem se unir ao grupo nesta segunda. Ainda assim, não há expectativa de encontros de alto nível nos próximos dias, o que levanta dúvidas sobre a efetividade da missão diplomática.

Você pode se Interessar

Deixe um Comentário

Sobre nós

Somos uma empresa de mídia. Prometemos contar a você o que há de novo nas partes importantes da vida moderna

@2024 – Todos os Direitos Reservados.