Os jatinhos da Força Aérea Brasileira foram utilizados intensamente por autoridades ao longo de 2025. Ao menos 1.778 decolagens transportaram integrantes da alta cúpula do poder em voos custeados pelos cofres públicos. A regalia, disputada pela elite de Brasília, é garantida a ministros de Estado, chefes das Forças Armadas e presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal. No governo Lula, porém, o benefício passou a alcançar também ministros do STF, sem previsão legal específica.
O levantamento não inclui as viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem da primeira-dama Janja, que costumam se deslocar com grandes comitivas e têm os gastos protegidos por sigilo.
AeroMotta lidera uso
O presidente da Câmara, Hugo Motta, foi o recordista individual. Mesmo possuindo aeronave própria, ele realizou ao menos 141 viagens em aviões da FAB ao longo do ano, todas pagas pelo contribuinte.
Economia seletiva
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também fez uso intensivo da frota oficial. Foram 132 viagens em 2025, número 20 superior ao registrado em 2024, apesar do discurso recorrente de austeridade fiscal e contenção de gastos.
Supremo também decolou
A presidência do Supremo Tribunal Federal realizou 100 voos no ano. Já os demais ministros da Corte responderam por outras 19 decolagens.
O total de viagens em 2025 supera o número registrado em 2024, quando houve 1.553 voos, mas ainda fica abaixo de 2023, ano que bateu o recorde com 1.997 decolagens.
O uso crescente das aeronaves oficiais reforça críticas sobre privilégios, falta de transparência e o contraste entre o discurso de responsabilidade fiscal e a prática cotidiana da elite do poder em Brasília.