Durante depoimento à CPMI do INSS, a defensora pública Patrícia Bettin Chaves afirmou acreditar que o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, tinha conhecimento das fraudes que atingiram aposentados e pensionistas nos últimos anos.
Segundo Bettin, o próprio INSS participava de um grupo de trabalho criado pelo Ministério Público Federal (MPF) para combater irregularidades, mas ignorou parte das recomendações apresentadas.
Ela detalhou que entidades utilizavam assinaturas falsificadas e até gravações manipuladas com inteligência artificial para impor descontos automáticos de R$ 30 a R$ 90 em benefícios, sem autorização dos segurados. As práticas, de acordo com a Polícia Federal, podem ter gerado prejuízos de até R$ 6,3 bilhões.
A defensora defendeu medidas mais rígidas, como a proibição de descontos automáticos e a retomada da revalidação anual dos termos de adesão — exigência que deixou de valer após mudanças legislativas de 2019.
O depoimento gerou embate entre governistas e oposição. Enquanto parlamentares da base minimizaram as acusações, o senador Rogério Marinho (PL-RN) destacou que houve explosão nas fraudes durante a gestão petista.
Além disso, a CPMI aprovou pedidos para investigar o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como articulador do esquema. Também foram aprovadas quebras de sigilo e convocações de ex-ministros e dirigentes para as próximas sessões.