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sexta-feira, 17 abril, 2026
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Bolsonaro se emociona durante culto evangélico em Brasília

Por Alexandre Gomes

Ex-presidente comparece à Catedral da Bênção com tornozeleira eletrônica, evita imprensa e chora durante cerimônia

Em um momento marcado por forte simbolismo e tensão política, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participou, nesta quinta-feira (24), de um culto evangélico na Catedral da Bênção, em Taguatinga (DF). A presença aconteceu poucas horas após uma nova advertência do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito da Polícia Federal que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Acompanhado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do senador Magno Malta (PL) e do filho Jair Renan, o ex-presidente manteve o silêncio, usava tornozeleira eletrônica e aparentou visível emoção durante a cerimônia. Em um dos momentos de oração, chorou discretamente, sendo amparado por pessoas próximas. Ao final, limitou-se a dizer aos jornalistas: “Eu não vou falar, pelo amor de Deus”.

“A perseguição dói”, diz Michelle Bolsonaro

Michelle, que também se pronunciou brevemente após o culto, desabafou sobre a situação enfrentada pelo marido:

“A perseguição dói, a falta de liberdade dói. Dói não poder sair com a família, dói não poder ir ao McDonald’s com a minha filha e não poder chegar e fazer o pedido. Temos que ficar no carro, preocupados com a segurança”.

O relato emocionado da ex-primeira-dama destaca o clima de pressão e vigilância que paira sobre a família Bolsonaro desde que o STF impôs uma série de medidas cautelares severas, incluindo a proibição de uso de redes sociais, monitoramento eletrônico e proibição de contato com embaixadas e diplomatas.

Moraes endurece tom

A nova advertência de Alexandre de Moraes, publicada nesta quinta-feira, foi interpretada como um ultimato. Embora o ministro tenha decidido não decretar a prisão preventiva do ex-presidente, ele deixou claro que qualquer novo descumprimento das restrições judiciais poderá levar à prisão imediata:

“Se houver novo descumprimento, a conversão [em prisão] será imediata”, registrou Moraes na decisão.

A advertência veio após a suspeita de que Bolsonaro teria violado, mesmo que indiretamente, a determinação de se manter afastado de manifestações públicas com repercussão digital.

Culto como refúgio e resistência

A ida de Bolsonaro à igreja, local onde costuma encontrar apoio, foi vista por aliados como uma demonstração silenciosa de fé e resistência diante da perseguição institucional. Sentado na primeira fila, entre lideranças evangélicas e políticos próximos, o ex-presidente optou por não discursar — possivelmente temendo que qualquer fala pública seja interpretada como quebra de medida cautelar.

Para aliados, o culto foi um “refúgio espiritual” e uma “resposta emocional” à sequência de decisões que, segundo juristas críticos, colocam em risco o equilíbrio entre os Poderes da República.

Com a liberdade de expressão limitada por ordem judicial e sob monitoramento permanente, Bolsonaro tem evitado qualquer exposição pública não controlada. A presença no culto, embora legal, representa o limite do que lhe é permitido atualmente — um raro momento fora do silêncio forçado.

A crescente tensão entre o ex-presidente e o STF expõe feridas institucionais profundas e reacende o debate sobre os limites da autoridade judicial diante de figuras públicas sem condenação definitiva. Bolsonaro segue como investigado, mas sem sentença transitada em julgado, mantendo, portanto, os direitos constitucionais de se manifestar e circular livremente, ainda que com restrições.

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