A possível ascensão de Viktor Orbán à presidência interina do Conselho Europeu, gera apreensão nos corredores de Bruxelas
A decisão surpreendente de Charles Michel de antecipar sua saída para concorrer às eleições europeias levanta a possibilidade de Viktor Orbán, líder da Hungria, assumir temporariamente a presidência do Conselho Europeu, a menos que os líderes da UE encontrem rapidamente um sucessor para o atual presidente.
Michel, ex-primeiro-ministro belga e atual presidente do Conselho Europeu desde 2019, anunciou no sábado sua candidatura pelo Movimento Reformista (MR), partido liberal belga, nas eleições europeias de 6 a 9 de junho. Caso eleito, Michel deixaria o cargo oficialmente em novembro, antes do término de seu mandato.
Com menos de seis meses para nomear um sucessor, os 27 chefes de governo da UE enfrentam o desafio de encontrar alguém para presidir às reuniões do Conselho Europeu e negociar acordos sensíveis, incluindo questões de orçamento e política externa.
Segundo os Tratados da UE, na ausência de um presidente, o país que detém a presidência rotativa semestral do Conselho da UE assume interinamente. Isso colocaria Viktor Orbán, primeiro-ministro húngaro, no comando, já que a Hungria assumirá a presidência rotativa em julho.
A perspectiva de Orbán ampliar sua influência nos corredores de Bruxelas, preocupa muitos na capital da UE. O líder nacionalista, conhecido por desafiar Bruxelas, recentemente vetou um pacote de 50 bilhões de euros para apoio financeiro à Ucrânia na cimeira da UE de dezembro.
Além disso, Orbán utiliza retórica anti-UE para alimentar o sentimento eurocético em seu país. O Parlamento Europeu questionou a credibilidade da Hungria e de Orbán para assumir a presidência do Conselho da UE, levantando dúvidas sobre como seu governo coordenará as reuniões ministeriais temáticas entre os 27 países.
Apesar de não ter poderes executivos, o Estado-membro que exerce a presidência do Conselho da UE pode influenciar significativamente o funcionamento da instituição, organizando reuniões, dirigindo negociações e definindo a ordem de trabalhos.