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quinta-feira, 25 julho, 2024
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Inquietação social se espalha: Setores de transportes e agricultura agitam a Europa

Por Alexandre G.

Na última sexta-feira, a Alemanha enfrentou uma sucessiva paralisação em seu sistema ferroviário nacional, nos aeroportos e, por fim, no transporte urbano de Berlim, por algumas horas. O motivo por trás disso foram reivindicações salariais e demandas por melhores condições de trabalho.

Embora a Covid-19 tenha perdido parte de seu impacto fatal, continua a prejudicar trabalhadores, incapazes de desempenhar suas funções e sobrecarregando outros. Neste período do ano, o inverno europeu também se torna um aliado, levando trabalhadores ao repouso forçado devido a fortes resfriados.

Na Finlândia, sindicatos de diversas categorias realizaram uma paralisação total na semana passada, protestando contra um projeto do governo conservador que busca restringir o direito de greve e reduzir o seguro-desemprego. O sistema de transporte público foi especialmente afetado.

O setor agrícola tornou-se protagonista da semana, com agricultores na Alemanha bloqueando estradas, acessos a vilas e cidades com seus tratores. Esse movimento se espalhou por quase toda a Europa continental, desde a Polônia até a Península Ibérica, resultando em manifestações intensas na França e em Bruxelas, Bélgica, onde manifestantes atearam fogueiras diante da sede executiva da União Europeia.

Na França, agricultores ameaçaram cercar e isolar Paris, mobilizando o governo de Emmanuel Macron. Ele se comprometeu a lutar contra a aprovação do acordo de livre-comércio com o Mercosul e a reconsiderar as novas restrições aos agrotóxicos, provocando protestos adicionais por parte dos ecologistas. A União Europeia também prometeu investir centenas de milhões de euros em subsídios ao setor.

Além da preocupação com a concorrência do Mercosul, os agricultores europeus estão insatisfeitos com os subsídios governamentais e da UE, que representam 15% de sua renda. Alegam que esses subsídios são insuficientes diante do aumento da inflação, especialmente nos custos de combustíveis, como o diesel, e fertilizantes, cuja alta está relacionada à escassez derivada da guerra na Ucrânia. Também protestam contra a concorrência de produtos agrícolas ucranianos isentos de impostos pela União Europeia.

As limitações ecológicas, que encarecem seus produtos, são outra fonte de discordância, colocando em risco as medidas de proteção ambiental da UE. A insatisfação persiste, ameaçando continuar e se espalhar para outras categorias, apesar das ações atenuadoras dos governos e da UE.

Embora oficialmente o continente europeu não esteja em recessão econômica, a crise é uma realidade diária, liderada pelos crescentes custos de energia, alimentos, saúde e habitação. No Reino Unido, os protestos no setor da saúde são constantes, e a crise econômica ameaça a hegemonia do Partido Conservador, que está no poder desde 2010.

Politicamente, na Europa Continental, partidos de direita, como o Rassemblement National na França e o Alternative für Deutschland na Alemanha, buscam capitalizar a insatisfação e os protestos, principalmente dos agricultores, considerados um setor mais conservador do que os trabalhadores urbanos. As eleições para o Parlamento Europeu em junho deste ano, serão uma oportunidade para avaliar o sucesso ou não dessa estratégia.

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