Dólar Hoje Euro Hoje
quarta-feira, 17 junho, 2026
Início » Investida do TCU contra o BC preocupa mercado, que teme aumento do ‘risco Brasil’

Investida do TCU contra o BC preocupa mercado, que teme aumento do ‘risco Brasil’

Por Alexandre Gomes

Desdobramentos do caso Master elevam cautela de investidores brasileiros

O caso que envolve o Banco Master passou a influenciar o mercado financeiro brasileiro com a investida do Tribunal de Contas da União (TCU) contra o Banco Central (BC), movimento que elevou a cautela de investidores e provocou uma busca, ainda que limitada, por mecanismos de proteção.

O episódio coincidiu com a alta do Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, segundo apuração do Valor Econômico publicada nesta quinta-feira, 8. O CDS é um contrato usado como proteção contra o risco de calote de um país e, por essa razão, costuma ser interpretado como uma medida do chamado “risco país”.

Até então, de acordo com o jornal, os participantes do mercado acompanhavam com atenção os desdobramentos do caso, mas o tema não havia sido incorporado aos preços dos ativos. Esse cenário mudou depois da atuação do ministro do TCU Jonathan de Jesus contra o BC, o que levou investidores a adotar estratégias de proteção nos mercados domésticos.

No geral, as movimentações observadas na bolsa de valores, no câmbio e nos juros foram atribuídas por agentes do mercado a um ajuste técnico. Ainda assim, o comportamento do CDS de cinco anos do Brasil chamou atenção das tesourarias de bancos locais. Nesta quarta-feira, 7, o indicador subiu 2,5% e passou de 136,8 pontos para 140,2 pontos.

Na manhã de quinta-feira, o movimento de alta dos spreads continuava, ainda que sem grande intensidade. De acordo com dados da S&P Global Market Intelligence, o CDS de cinco anos subia a 140,32 pontos, maior nível desde 19 de dezembro, e desfez o breve alívio observado nas primeiras sessões deste ano.

Mercado precifica efeitos sobre a curva de juros

Uma eventual reversão da liquidação extrajudicial do Master, conduzida pelo BC, é considerada por participantes do mercado como um fator de risco institucional. Segundo agentes ouvidos pelo Valor, esse cenário poderia enfraquecer o poder institucional do BC e aumentar a insegurança jurídica.

“Tenho recebido ligações de bancos estrangeiros tentando entender a situação”, comentou um executivo do setor financeiro. “É até difícil explicar que no Brasil algumas leis podem ser quase que ‘revertidas’, mesmo por tribunais de contas, não é nem pelo Supremo.”

Houve também avaliações de que o aumento do CDS pode ter provocado algum grau de contaminação sobre os ativos domésticos, especialmente na curva de juros. A curva ganhou inclinação, com alta das taxas de longo prazo, movimento que reflete maior percepção de risco em prazos mais extensos.

Parte dos agentes, no entanto, lembrou que o mercado passava por ajustes antes do lançamento de um novo título prefixado de longo prazo pelo Tesouro Nacional. “A ponta longa provavelmente ajustou risco para o leilão e para alguns receios ligados à liquidação do Master feita pelo BC no ano passado”, afirmou o trader de renda fixa da tesouraria de um grande banco.

Outro profissional do mercado reforçou a existência de ruídos. “Há algum burburinho de que essa liquidação estaria distorcendo os níveis de CDS e contaminando o mercado de juros”, disse o trader de renda fixa de uma importante instituição financeira local. Para ele, contudo, a estreia do título prefixado foi o principal fator a explicar a alta dos juros longos registrada na sessão anterior e o consequente aumento da inclinação da curva.

Você pode se Interessar

Deixe um Comentário

Sobre nós

Somos uma empresa de mídia. Prometemos contar a você o que há de novo nas partes importantes da vida moderna

@2024 – Todos os Direitos Reservados.