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terça-feira, 20 janeiro, 2026
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BC expõe deterioração fiscal: déficit de R$ 46,8 bi sob Lula

Por Alexandre Gomes

Os dados divulgados pelo Banco Central confirmam uma tendência que economistas já vinham apontando: a política fiscal do governo Lula está perdendo tração, disciplina e previsibilidade. O setor público consolidado acumula, de janeiro a outubro de 2025, déficit primário de R$ 46,852 bilhões, um resultado que não apenas frustra expectativas de ajuste, como evidencia fragilidades crescentes na capacidade do governo federal de administrar suas próprias contas.

A decomposição dos números deixa pouco espaço para interpretações otimistas.

Governo central é o epicentro da deterioração fiscal

O déficit do governo federal chegou a R$ 63,382 bilhões, ou 0,60% do PIB, tornando-se o principal vetor do desequilíbrio nacional. Em termos analíticos, isso significa:

  • O governo Lula consome sozinho mais que todo o superávit combinado de Estados e municípios;
  • Sem Brasília, o setor público estaria no azul, reflexo de boas práticas fiscais locais — um contraste direto com o comportamento expansionista da União.

A disparidade aponta para um fenômeno recorrente em momentos de políticas federais mais gastadoras: o centro deteriora, as pontas compensam. Mas a capacidade de compensação dos entes subnacionais é limitada e já mostra sinais de exaustão.

Desempenho de Estados e municípios revela gestão fiscal mais responsável apesar da União

Os governos estaduais e municipais apresentaram superávit de R$ 23,974 bilhões (0,23% do PIB), com:

  • Estados: R$ 17,779 bi
  • Municípios: R$ 6,195 bi

Esse desempenho revela duas conclusões importantes:

  1. Há disciplina fiscal fora do governo federal;
  2. Os entes subnacionais estão literalmente segurando a âncora fiscal do país, compensando parte do rombo federal.

O contraste evidencia que o problema não é estrutural ao Estado brasileiro — é específico à gestão federal atual.

Estatais no vermelho: reflexo direto da reestatização ideológica

As empresas estatais, excluindo Petrobras e Eletrobras, acumulam déficit de R$ 7,444 bilhões — exatamente o oposto do que se esperava após anos de ajustes e governança reforçada.

Esse retrocesso coincide com:

  • A reversão de critérios técnicos nas indicações;
  • A flexibilização da Lei das Estatais, promovida e celebrada pelo próprio governo Lula;
  • O retorno de práticas político-partidárias nas diretorias.

Analiticamente, isso amplia o risco de:

  • pressão sobre o Tesouro, caso estatais dependam de aportes;
  • reclassificação como estatais dependentes, jogando suas despesas para dentro do Orçamento;
  • propagação do déficit, multiplicando o rombo federal.

É um círculo vicioso clássico de administrações que priorizam controle político em vez de eficiência econômica.

Trajetória fiscal ameaça a própria meta do governo

O governo Lula insiste em perseguir a meta de déficit zero em 2025, mas os números do BC indicam que:

  • O déficit consolidado já está em 0,45% do PIB;
  • O déficit do governo central sozinho é 0,60% do PIB;
  • As estatais agravam o quadro;
  • O cenário exige bloqueios significativos de gastos, que o governo evita politicamente.

A análise mostra que o problema não é só conjuntural — é o modelo em si:

  • Mais gasto corrente;
  • Estatais novamente problemáticas;
  • Aumento de despesas com baixa capacidade de reversão;
  • Falta de compromisso real com cortes.

Na prática, Lula está forçando a política econômica a trabalhar no limite das regras, confiando em manobras contábeis e deduções extraordinárias, em vez de atacar o cerne da despesa pública.

Consequências de médio prazo: risco crescente de perda de credibilidade

Esse desarranjo fiscal tende a produzir efeitos encadeados:

  • Aumento da percepção de risco do Brasil;
  • Pressão sobre juros futuros, prejudicando investimento;
  • Fragilização da moeda;
  • Dependência maior de arrecadação extraordinária e medidas pontuais;
  • Menor crescimento potencial, já que a máquina pública volta a drenar recursos para si própria.

Em síntese, o quadro fiscal de 2025 mostra um governo que:

  • Promete disciplina, mas entrega expansão;
  • Cobra responsabilidade dos Estados, mas ignora a própria;
  • Fala em previsibilidade, mas opera à beira do limite das regras.

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