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quinta-feira, 25 julho, 2024
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Ano sem Intervenções do BC Gera Euforia e Preocupações no Mercado

Por Marina B.

O cenário positivo no mercado cambial ao longo do último ano se evidenciou não apenas na queda do dólar, que passou de R$ 5,27 para R$ 4,85 no período. Pela primeira vez desde 1999, o Banco Central (BC) não realizou intervenções por meio de novos leilões, aproveitando a menor volatilidade do real e sua apreciação gradual em 2023. As informações do BC sobre suas atuações no mercado de câmbio, combinadas com os comunicados oficiais, destacam a ausência de novos leilões via contratos de swap cambial ou venda/compra de dólares à vista no ano passado. Além disso, não houve novos leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra).

Essa redução da intervenção do Banco Central no mercado de câmbio em 2023 é a menor desde a adoção do regime de câmbio flutuante no país, em 1999. Historicamente, o BC costumava intervir em momentos de grande volatilidade na moeda brasileira.

“Apesar de ruídos sobre a política econômica brasileira no começo do ano [passado] e de um ambiente externo mais adverso entre agosto e outubro, a volatilidade do câmbio ficou bem menor que em outros anos”, diz o estrategista-chefe da Warren Investimentos, Sérgio Goldenstein, que já chefiou o Departamento de Mercado Aberto (Demab) do BC. “Não chegamos a ver um câmbio disfuncional para justificar intervenções.”

Em 2023, o Banco Central realizou duas rolagens de “linhas” no início do ano e conduziu rolagens integrais de contratos de swap cambial ao longo do ano. “Mas a rolagem é uma ação neutra do BC”, enfatiza Goldenstein. “Na verdade, se o BC estivesse realizando rolagens parciais, isso afetaria o mercado cambial.” No entanto, o ponto que chamou a atenção de Goldenstein e outros profissionais do mercado foi a falta de leilões de linha no fim do ano passado, especialmente em dezembro. Geralmente, nesse período, o BC costuma realizar ações pontuais para conter a volatilidade, oferecendo linhas, devido à saída de capital por remessas de multinacionais e pagamentos de dividendos a investidores estrangeiros. Tais leilões não impactam diretamente a taxa de câmbio, mas o cupom cambial de curto prazo – um derivativo que reflete o juro em dólar.

O Banco Central, quando questionado, afirmou não ter identificado disfuncionalidades no mercado de câmbio que justificassem intervenções. O ex-diretor de política monetária do BC e sócio da Panamby Capital, Reinaldo Le Grazie, explica que a ausência de leilões de linha no final do ano pode ser atribuída a uma conjunção de fatores positivos. Ele destaca a influência favorável do fluxo cambial e a ausência de elementos que antes impactavam a volatilidade cambial. Le Grazie aponta que o excesso de proteção cambial e a alavancagem das empresas brasileiras no exterior contribuíram para a desvalorização do real em 2021 e 2022. No entanto, esses fatores não estiveram presentes no último ano, promovendo um ambiente mais estável.

Carlos Kawall, diretor da Oriz Partners e ex-secretário do Tesouro Nacional, também menciona que a estabilidade do câmbio foi impulsionada pelo cenário externo e pela postura mais cautelosa do Federal Reserve (Fed, banco central americano). Porém, destaca o fluxo comercial como elemento-chave para conter a volatilidade. O fluxo cambial de 2023 registrou uma entrada líquida de US$ 49 bilhões via conta comercial, enquanto a conta financeira teve uma saída de US$ 37,6 bilhões. Esse fluxo positivo foi o maior desde 2012, ressalta Kawall, que aponta para uma fase de superávit comercial mais estrutural, não tão vinculada aos preços das commodities, mas sim às quantidades exportadas.

Ele sugere que esse bom fluxo de capital via conta comercial pode diminuir a necessidade de leilões de linha nos finais de ano futuros e influenciar os bancos a mudarem suas posições no mercado cambial. Kawall ressalta que a posição vendida dos bancos em dólar, segundo dados do BC, diminuiu gradativamente ao longo de 2023, chegando a US$ 1,9 bilhão em novembro, o menor nível desde agosto de 2018. Alfredo Menezes, sócio e diretor de investimentos da Armor Capital, destaca que a posição dos bancos em relação ao dólar é resultado do fluxo real da economia, especialmente com a ausência de intervenções do BC no mercado. Isso sugere um possível fortalecimento do real no início de 2024, com um ambiente mais tranquilo para o fluxo de exportação, indicando um potencial ponto de equilíbrio do dólar mais baixo.

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