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sexta-feira, 4 abril, 2025
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Zucco sobre anistia: “Hugo Motta não tem mais uma semana pela frente”

Por Alexandre Gomes

Deputado afirma que pressão popular e parlamentar vai obrigar presidente da Câmara a pautar projeto de anistia aos presos do 8 de janeiro

Em entrevista incisiva ao programa Oeste Sem Filtro, na noite desta quinta-feira, 3, o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara dos Deputados, reforçou a mobilização por justiça para os presos dos atos de 8 de janeiro de 2023, classificando-os como alvos de um “sistema de perseguição política”. Segundo ele, o projeto de anistia não apenas é legítimo, como tornou-se inadiável – e quem tentar segurá-lo enfrentará pressão direta das ruas e do Parlamento.

Ao anunciar um habeas corpus coletivo em defesa dos detidos, Zucco deixou claro que a decisão foi tomada após a disparidade de tratamento jurídico se tornar evidente, especialmente após a concessão de prisão domiciliar à cabeleireira Débora dos Santos – presa por pichar uma estátua em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Não há mais como esconder as injustiças. O país está vendo. O desrespeito ao devido processo legal, a desproporcionalidade das penas, e o uso da máquina judiciária como instrumento político estão escancarados”, afirmou o parlamentar.

O líder da oposição também citou o caso de Jaime Junkes, de 69 anos, condenado a 14 anos de prisão e libertado após denúncia da Revista Oeste, mesmo diagnosticado com câncer em estágio avançado. “É esse o nível de crueldade que está em curso. Pessoas doentes, presas em condições degradantes, por motivação política.”

Maus-tratos e violações

Zucco revelou ainda a criação de uma subcomissão na área da segurança para apurar denúncias de maus-tratos aos detentos e investigar as condições das prisões. Segundo ele, há relatos graves de tratamento desumano. “Precisamos olhar para isso com seriedade. Está claro que há um viés ideológico no tratamento desses cidadãos.”

O parlamentar enfatizou que a resistência ao projeto de anistia parte de um núcleo político alinhado ao Palácio do Planalto e ao STF, que estaria tentando frear a mobilização crescente da sociedade.

Recado a Hugo Motta

Um dos alvos das críticas mais diretas de Zucco foi o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acusado de tentar “enterrar” o projeto de anistia ao pedir que líderes partidários não assinassem o pedido de urgência. “A atitude dele foi de quem tenta agradar o governo Lula e o ministro Alexandre de Moraes. Mas acredito que ele subestimou o grau de maturidade dessa pauta”, afirmou.

Zucco fez questão de lembrar que Motta participou de um jantar na casa de Moraes, relator dos processos do 8 de janeiro no STF. “É um gesto insidioso. A sociedade está vendo quem está do lado da liberdade e quem está a serviço do sistema”, alfinetou.

O deputado revelou que já foram coletadas cerca de 170 assinaturas em apoio ao regime de urgência para o projeto de anistia, com meta de alcançar 257 até a próxima quinta-feira, número necessário para forçar a votação em plenário, mesmo sem o aval do presidente da Casa.

“Não tenho dúvida de que o Hugo Motta não tem mais uma semana pela frente”, disse. “A pressão popular e política vai deixá-lo sem escapatória.”

Ato pela liberdade e apoio de Bolsonaro

Zucco também convocou a população para o grande ato pela anistia, que acontecerá no domingo, 6 de abril, às 14h, na Avenida Paulista, em São Paulo. O evento contará com a presença de líderes da direita, além de parlamentares de centro que aderiram à pauta. O deputado disse ter se reunido recentemente com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas, ambos apoiadores da causa.

Segundo ele, o movimento ganhou adesão inclusive de nomes do centro político, como o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que teria sinalizado apoio à votação do projeto. “Não é mais uma pauta da direita. Hoje, é uma bandeira da legalidade e da liberdade”, afirmou.

Zucco concluiu a entrevista com um recado claro ao governo e às instituições:

“Se achavam que iam calar a sociedade com prisões arbitrárias e sentenças políticas, estavam enganados. Estamos organizados, mobilizados e vamos até o fim pela anistia. Não vamos recuar.”

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