O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu investigação para apurar repasses de R$ 19,1 milhões feitos pelo governo Lula à ONG Unisol Brasil, uma entidade fundada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC — reduto histórico do PT em São Bernardo do Campo (SP) e berço político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo, os valores transferidos à ONG dispararam durante o atual mandato. Em 2024, só um dos convênios soma quase R$ 18 milhões, o maior valor já destinado à entidade em mais de uma década. Até 2022, os repasses anuais não passavam de R$ 1 milhão.
O governo federal firmou oito convênios com a Unisol por meio de ministérios hoje sob controle do Partido dos Trabalhadores, como o Ministério do Trabalho, Direitos Humanos e Desenvolvimento Agrário.
Parte desses recursos foi utilizada para promover eventos e ações com temas alinhados à agenda ideológica da esquerda, como cooperativismo popular, agroecologia, equidade de gênero e sustentabilidade — temas com forte viés político-partidário e presença de militantes petistas.
Projeto em área Yanomami na mira
Um dos principais alvos da apuração é o repasse de quase R$ 16 milhões para um projeto de “limpeza do território Yanomami”, em Roraima. A ação, embora revestida de discurso humanitário, levantou questionamentos sobre capacidade técnica da ONG para executar serviços em área indígena e se houve real prestação de contas.
O deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS), vice-líder da oposição na Câmara, protocolou a representação que motivou a abertura do processo no TCU.
“A atuação do TCU é fundamental para garantir que o dinheiro público seja aplicado com transparência, legalidade e sem aparelhamento político”, declarou Sanderson.
Em nota, a Unisol minimizou a vinculação política com o PT e afirmou que trabalha com princípios do empreendedorismo social, cooperativismo e direitos humanos. A entidade disse ainda que está aberta a parcerias com todos os setores da sociedade.
Suspeita de aparelhamento e desvio de finalidade
A nova investigação coloca novamente em evidência a confusão entre estrutura de Estado e estrutura de partido — marca histórica dos governos petistas. A destinação milionária de verbas públicas a uma ONG criada em ambiente sindical ligado ao PT acende alertas de aparelhamento ideológico e possível desvio de finalidade.
O TCU deverá apurar a legalidade dos convênios, a execução dos serviços e a prestação de contas, mas o caso já pressiona o governo Lula a dar explicações à sociedade.
Para a oposição, trata-se de mais um indício de que o atual governo utiliza a máquina pública para sustentar sua base ideológica e aliados históricos, enquanto ignora critérios técnicos e de mérito na destinação de recursos públicos.