Em meio ao avanço das investigações sobre desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o empresário Kalil Bittar, sócio de Fábio Luís Lula da Silva — o Lulinha —, mudou-se para a Região Metropolitana de Lisboa, em Portugal. A mudança ocorreu no mesmo período em que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a residir em Madri, na Espanha.
Segundo reportagem do portal Metrópoles, Kalil Bittar teria atuado ao lado da lobista Roberta Luchsinger e de um operador conhecido como “Careca do INSS” na intermediação da venda de canabidiol ao Sistema Único de Saúde. De acordo com as investigações, o grupo teria explorado o prestígio do sobrenome de Lulinha para viabilizar negócios.
Um colaborador ouvido pela Polícia Federal relatou que o operador do esquema teria pago R$ 30 milhões a Lulinha, além de uma mesada de R$ 300 mil. As informações constam de depoimentos colhidos no curso da apuração.
Atuação no exterior e conexões empresariais
Conforme apuração da colunista Andreza Matais, do Metrópoles, Bittar e Roberta Luchsinger atuariam como representantes de Lulinha na captação de clientes, enquanto o filho do presidente entraria com seu sobrenome para abrir portas. Embora tenham deixado de ser sócios formais em 2023, ambos teriam mantido negócios no exterior.
Kalil Bittar passou a morar em uma residência vinculada ao Hotel Sheraton, em Cascais, região metropolitana de Lisboa. Os negócios do grupo também envolveriam a RL Consultoria e Intermediações Ltda., de Roberta Luchsinger, voltada à intermediação comercial com empresas nacionais e internacionais.
Roberta, que também é alvo de investigação, afirma ter prestado serviços ao “Careca do INSS” apenas na área de regulação do canabidiol e nega qualquer envolvimento com o esquema de fraudes no INSS. Ela mantém um imóvel em Brasília, inicialmente alugado para Lulinha, que teria sido utilizado como escritório do grupo.
No fim de 2025, Kalil Bittar foi alvo da Operação Coffee Break, deflagrada pela Polícia Federal. Ele é acusado de integrar uma rede de tráfico de influência para favorecer empresas do setor educacional e de receber mesadas de até R$ 210 mil. A defesa do empresário nega as acusações.