Acusações de desvio de recursos financeiros passaram a cercar os bastidores do Resort Tayayá Porto Rico, empreendimento localizado em São Pedro, próximo à divisa com Mato Grosso do Sul. O empresário João Roberto Viotto, ex-presidente da empresa e detentor de 18% das ações, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que há falta de comprovação de até R$ 100 milhões em despesas do projeto.
Segundo Viotto, uma auditoria independente apontou inconsistências contábeis relevantes, incluindo a ausência de notas fiscais, contratos e comprovantes que justifiquem parte significativa das saídas financeiras. O relatório também teria identificado uma diferença de R$ 7,6 milhões nos extratos bancários do empreendimento até dezembro de 2024.
O empresário chegou a ingressar na Justiça do Paraná, em setembro de 2025, com pedido de antecipação de provas para ter acesso a documentos junto ao Banco Central do Brasil, mas desistiu da ação poucos dias depois. De acordo com o Estadão, a defesa pretende reapresentar o pedido para análise por outro magistrado.
Auditoria e mudança societária
O Resort Tayayá Porto Rico está em fase de construção e prevê 240 apartamentos e cerca de 300 casas. O projeto já teria comercializado mais de 1,5 mil cotas para cerca de 600 clientes, arrecadando aproximadamente R$ 220 milhões.
Viotto atribui os supostos desvios à família Ferro, atual sócia majoritária do empreendimento, que adquiriu a participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, haveria uso irregular de contratos com empreiteiras e desaparecimento de valores relativos a impostos que não teriam sido repassados à União. O principal nome citado nas denúncias é Patrick Ferro, presidente do empreendimento desde o ano passado.
Resposta da administração
Em nota ao Estadão, a administração do resort classificou as acusações como “inverídicas” e “caluniosas”. Segundo a empresa, Viotto teria sido afastado da gestão por suspeitas de atividades irregulares e conflitos de interesse, e agora buscaria retomar o controle administrativo do negócio.
O empreendimento também afirmou que não há recursos públicos envolvidos na operação. Caso as denúncias avancem, eventuais apurações podem recair sobre crimes como apropriação indébita e desvio de recursos privados.