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sexta-feira, 17 abril, 2026
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Relator do caso Master no TCU indicou emendas ligadas a obras inacabadas em Roraima

Por Alexandre Gomes

Obras públicas paralisadas, estradas deterioradas e falta de prestação de contas expõem o destino incerto de cerca de R$ 42 milhões em emendas parlamentares direcionadas a municípios de Roraima pelo ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União. Levantamento apontou que parte relevante dos recursos resultou em estruturas inacabadas e serviços que não se concretizaram, com destaque para o município de Iracema.

Do total, R$ 25,8 milhões foram liberados por meio de emendas Pix. Somente Iracema recebeu R$ 11,7 milhões sem apresentar relatórios formais de execução. Em vistorias, mais de 60 quilômetros de vias rurais que deveriam ter sido recuperadas permanecem esburacadas, sobretudo no período chuvoso. Em um projeto habitacional que previa 300 moradias até 2024, foi encontrada apenas uma casa abandonada.

Falhas nos planos e indícios de irregularidades

Os planos de trabalho enviados às autoridades continham erros, descrições genéricas e, em alguns casos, indicavam obras para municípios diferentes. Também foram identificadas movimentações financeiras atípicas entre contas bancárias. A ausência de prestação de contas contraria normas do Supremo Tribunal Federal e do próprio TCU.

Até 2024, Iracema era administrada por Jairo Ribeiro (Republicanos), preso por compra de votos na eleição municipal. Ele elegeu como sucessora a aliada Marlene Saraiva. Investigações apuram ainda possível caixa dois, repasses irregulares de campanha e indícios de enriquecimento ilícito. A proximidade política entre o ex-prefeito e o ministro do TCU foi registrada em manifestações públicas de apoio.

Obras prometidas, resultados limitados

Entre os projetos financiados, destaca-se o asfaltamento parcial de uma estrada rural com R$ 13,6 milhões liberados em 2022. A prefeitura havia reconhecido risco de degradação e assumido compromisso de manutenção, mas trechos seguem danificados. Outra emenda de R$ 3 milhões para recuperação de 44 quilômetros de estradas vicinais não resultou em melhorias efetivas. Na Vila Campos Novos, R$ 4,5 milhões destinados à pavimentação e calçadas resultaram em obras incompletas.

Suspensão e retomada condicionada

Novos repasses a Iracema chegaram a ser suspensos por decisão do ministro Flávio Dino, diante da falta de transparência. As transferências foram retomadas mediante compromisso de apresentação de planos e relatórios, o que, até o momento, não foi cumprido integralmente.

Respostas dos envolvidos

Jhonatan de Jesus confirmou a indicação das emendas e negou irregularidades, afirmando que a execução e a prestação de contas são responsabilidade exclusiva dos entes beneficiários. A prefeitura de Iracema declarou que os recursos foram aplicados regularmente, atribuindo atrasos a chuvas intensas entre 2023 e 2025, mas não apresentou documentação comprobatória. O ex-prefeito afirmou que sua prisão não tem relação com as emendas e que as indicações buscavam atender necessidades locais.

O caso amplia o debate sobre controle, transparência e fiscalização das emendas parlamentares, especialmente as transferidas por modalidade Pix, em contextos de obras públicas que permanecem inconclusas.

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