Parlamentares do PT e de siglas do centrão teriam atuado em conjunto para viabilizar o encerramento da CPMI do INSS nesta semana, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo. A comissão chegou a ter o prazo prorrogado por decisão liminar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas a medida foi posteriormente revertida pela maioria da Corte.
A base governista vinha demonstrando resistência à continuidade dos trabalhos da CPMI, especialmente após a repercussão das investigações sobre fraudes em descontos aplicados a aposentadorias, que geraram desgaste político para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Atuação no Senado
De acordo com a reportagem, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também teria atuado contra a prorrogação dos trabalhos. Diante da sinalização de que não daria andamento à comissão, integrantes da cúpula da CPMI recorreram ao STF, mas não obtiveram sucesso.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), não deve incluir pedido de indiciamento contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A decisão é vista por oposicionistas como favorável ao governo.
Disputa política na comissão
A instalação da CPMI já havia representado um revés inicial para o Planalto. Um acordo prévio entre governistas e as presidências do Congresso previa a indicação de Omar Aziz para a presidência e Ricardo Ayres para a relatoria. A oposição, no entanto, conseguiu eleger Carlos Viana (Podemos-MG) para a presidência e Alfredo Gaspar como relator.
Durante os trabalhos, governo e oposição disputaram maioria no colegiado. Em um dos momentos mais tensos, foi aprovada a quebra de sigilo de Lulinha, posteriormente anulada pelo STF sob alegação de falhas processuais.
O deputado Paulo Pimenta (PT) afirmou que a decisão do Supremo confirmou críticas da base governista à condução da comissão. Já o presidente da CPMI, Carlos Viana, atribuiu ao PT e ao centrão a responsabilidade pelo encerramento dos trabalhos, acusando os grupos de atuarem para “blindar” o governo diante do desgaste político provocado pelas investigações.