O procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), solicitou o afastamento cautelar do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann.
O pedido foi feito por meio de representação encaminhada ao TCU, na qual o procurador aponta supostas irregularidades na gestão do instituto e um ambiente de conflito entre a direção e servidores de carreira.
Crise interna e mudanças na gestão
Segundo o documento, a administração de Pochmann teria agravado uma crise interna no IBGE, além de promover alterações em cargos técnicos estratégicos. Para o procurador, os fatos indicariam um “quadro institucional preocupante”, com possíveis repercussões jurídicas.
A representação menciona exonerações de servidores especializados e críticas públicas à gestão, o que, na avaliação do Ministério Público de Contas, poderia configurar ingerência indevida na esfera técnico-científica do instituto.
Questionamentos sobre a Fundação IBGE+
O procurador também questiona a tentativa de criação da Fundação IBGE+, voltada ao apoio à inovação científica e tecnológica.
De acordo com o documento, a criação de uma entidade paralela, com possível captação de recursos próprios e atuação em áreas sensíveis relacionadas à produção e ao tratamento de dados oficiais, não poderia decorrer apenas de ato administrativo da presidência do órgão.
Impacto na credibilidade do instituto
Na avaliação do Ministério Público de Contas, o cenário descrito pode comprometer a credibilidade das estatísticas produzidas pelo IBGE, como o Produto Interno Bruto (PIB) e os índices de inflação.
O documento afirma ainda que uma gestão de pessoas marcada por conflitos públicos com o corpo técnico pode afetar tanto o ambiente interno de trabalho quanto a confiança externa nos dados oficiais produzidos pela instituição.