A maioria dos brasileiros segue contrária à legalização do aborto no país. Levantamento do PoderData, realizado entre 24 e 26 de janeiro de 2026, aponta que 68% dos entrevistados são contra a liberação do procedimento. O índice é o mais alto desde o início da série histórica, em janeiro de 2021.
A pesquisa ouviu 2.500 pessoas em 111 municípios, abrangendo as 27 unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Os dados indicam estabilidade na rejeição ao tema, sem variações relevantes ao longo dos últimos anos.
Apoio minoritário e recortes regionais
Segundo o levantamento, 22% dos entrevistados se disseram favoráveis à legalização do aborto, oscilação de um ponto percentual em relação ao ano anterior, dentro da margem de erro. Outros 10% afirmaram não saber ou preferiram não responder.
Atualmente, a legislação brasileira autoriza o aborto em três situações: gravidez resultante de estupro, risco de morte para a gestante ou diagnóstico de anencefalia do feto. Fora desses casos, a prática é considerada ilegal, sem definição legal de limite de semanas.
O recorte demográfico mostra que o apoio à legalização é maior entre idosos (25%), moradores da região Norte (27%) e pessoas com ensino fundamental (26%). Já a rejeição é mais expressiva no Sul do país (74%) e entre entrevistados com renda superior a cinco salários mínimos (72%).
Aborto, eleições e debate no STF
A pesquisa também cruzou os dados com o voto no segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 65% se declararam contrários à liberação do aborto, enquanto 27% se disseram favoráveis. Já entre os apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), a rejeição chega a 73%, com 16% de apoio.
O tema segue em discussão no Supremo Tribunal Federal, que analisa a ADPF nº 442, ação que pode ampliar a permissão para o aborto. Os números do PoderData indicam, contudo, que a maioria da sociedade permanece resistente a mudanças na legislação por via judicial.