Levantamento divulgado nesta sexta-feira pelo Paraná Pesquisas indica um cenário cada vez mais desafiador para o Palácio do Planalto. Em simulação de segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Flávio registra 44,4% das intenções de voto, contra 43,8% de Lula. Embora a diferença de 0,6 ponto porcentual configure empate técnico dentro da margem de erro de 2,2 pontos, o dado político é claro: o senador virou o jogo. Em outubro, Flávio tinha 37%, enquanto Lula liderava com 46,7%.
O avanço consolida o crescimento do campo conservador e expõe o desgaste do governo federal, marcado por economia pressionada, juros elevados, insegurança fiscal e conflitos recorrentes com setores relevantes da sociedade.
A herança Bolsonaro segue viva
O desempenho de Flávio reflete a força duradoura do legado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo fora do Planalto, Bolsonaro segue como principal referência da direita, transferindo capital político e mobilização a aliados diretos. O resultado mostra que o bolsonarismo não apenas resiste, como cresce diante da frustração com Lula.
Outros cenários de 2º turno
O levantamento também testou Lula contra outros nomes:
- Contra Ratinho Júnior, o petista vence por 43,6% a 39,7% — outro empate técnico.
- Já diante de Ronaldo Caiado, Lula tem vantagem fora da margem de erro (45,3% a 36,2%).
Os dados sugerem que Flávio é hoje o adversário mais competitivo contra Lula, especialmente no confronto direto.
1º turno: liderança sem folga
No primeiro turno, Lula lidera, mas novamente sem margem confortável. Em dois cenários, a diferença para Flávio permanece dentro do empate técnico:
- Cenário 1: Lula 39,6% x Flávio 35,3%
- Cenário 2: Lula 40,5% x Flávio 36,6%
A presença de nomes como Romeu Zema fragmenta o campo, mas não impede a estabilidade do senador em patamar competitivo.
Leitura política
Os números reforçam três conclusões:
- Flávio Bolsonaro é o nome da direita com maior capacidade de derrotar Lula;
- O bolsonarismo segue como força central do jogo político nacional;
- Lula entra no ciclo eleitoral vulnerável, sem hegemonia e com crescimento limitado.
A pesquisa ouviu 2.080 eleitores entre 22 e 25 de fevereiro, em 159 municípios, com 95% de confiança, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (BR-07974/2026).
Em síntese, o recado é direto: a eleição está aberta — e, pela primeira vez em muito tempo, Lula corre atrás.