Uma mansão localizada na QI 26 do Lago Sul, área nobre de Brasília, passou a integrar o foco de apurações da Polícia Federal por sua ligação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O imóvel tem sido utilizado como base de apoio pelo filho do presidente durante suas visitas à capital federal.
A casa é atualmente alugada pela lobista Roberta Luchsinger, apontada como sócia de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, investigado por fraudes envolvendo aposentadorias e pensões. Apesar de Lulinha residir em Madri, o endereço segue movimentado por uma pessoa que se apresenta como seu secretário.
Antes disso, o imóvel já havia sido utilizado por Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, com aluguel mensal estimado em R$ 25 mil.
Operação policial e mensagens sob apuração
Em dezembro, durante a Operação Sem Desconto, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Roberta Luchsinger. Embora a diligência tenha ocorrido em São Paulo, a lobista publicou imagem feita na mansão do Lago Sul logo após a ação, o que chamou a atenção dos investigadores.
Mensagens interceptadas pela PF indicam tentativas de destruição de provas. Em uma conversa atribuída à lobista, ela orienta o Careca do INSS a se desfazer de aparelhos celulares. Em outro diálogo, Roberta faz menção direta a Lulinha, comparando episódios do passado com a situação atual do lobista investigado.
Relações e agendas oficiais
Registros mostram que Roberta Luchsinger e o Careca do INSS estiveram juntos em compromissos no Ministério da Saúde, representando empresa do setor de telemedicina. A proximidade entre Roberta e Lulinha também aparece em postagens nas redes sociais da lobista, inclusive com referências pessoais à família do empresário.
Lulinha esteve no Brasil durante as festas de fim de ano, mas retornou à Espanha, onde vive desde meados de 2025.
Luxo, dívidas e questionamentos judiciais
Apesar de exibir um padrão de vida elevado, Roberta Luchsinger responde a execuções judiciais que somam mais de R$ 300 mil. Há registros de dificuldades da Justiça para localizá-la, além de suspeitas de ocultação de patrimônio. Em um dos processos, a penhora de uma Range Rover não foi possível; posteriormente, um quadro avaliado em R$ 70 mil foi apreendido para abatimento parcial da dívida.
Em nota, a defesa da lobista afirmou que não comenta processos cíveis em andamento e que a cliente possui endereço fixo, já utilizado para comunicações oficiais em diversas ocasiões.