Apesar de aliados do Palácio do Planalto comemorarem a forte presença de Lula nas redes sociais ao longo de 2025, um levantamento independente revela um dado incômodo para o presidente: a maior parte do engajamento digital associado ao petista é de teor negativo. Em pleno início do ano eleitoral, o ambiente online se mostra cada vez mais crítico ao governo.
Monitoramento realizado por pesquisadores com base na plataforma Brandwatch, ao qual a imprensa teve acesso, indica que quase dois terços das publicações sobre Lula em janeiro de 2026 foram críticas. O percentual negativo chegou a 64%, o segundo maior de toda a série analisada e uma alta de sete pontos porcentuais em relação a dezembro — a maior variação mensal registrada.
Muito alcance, pouca aprovação
O contraste chama atenção porque, dias antes, um estudo do instituto Nexus havia apontado Lula como o pré-candidato com maior presença nas principais redes sociais (Instagram, X, Facebook, YouTube e TikTok) ao longo de 2025. O problema para o governo é que visibilidade não se converteu em apoio.
Ao contrário: ao longo dos últimos 12 meses, as menções negativas mantiveram média de 55%, superando sistematicamente as positivas e neutras. Ou seja, o presidente domina o debate digital, mas em tom majoritariamente desfavorável.
Temas que alimentam a rejeição
Entre os assuntos mais citados de forma crítica estão:
- conflitos institucionais e decisões envolvendo o Supremo Tribunal Federal;
- questionamentos sobre transparência e sigilo de informações públicas;
- denúncias e investigações relacionadas a contratos e órgãos federais;
- suspeitas envolvendo repasses e benefícios ligados a familiares do presidente;
- política externa, com críticas à relação do governo com regimes autoritários, como a Venezuela;
- gastos públicos elevados e desempenho insatisfatório de estatais.
O levantamento indica que o debate negativo não é episódico, mas contínuo e transversal, atingindo áreas sensíveis da gestão e reforçando uma percepção de desgaste político.
Sinal de alerta para 2026
O aumento da crítica digital ocorre em paralelo à queda de popularidade captada por pesquisas presenciais e telefônicas, sugerindo que as redes sociais estão refletindo — e amplificando — um descontentamento já existente na sociedade.
Para um presidente que aposta na comunicação como pilar central do governo, os números acendem um alerta claro: o problema não é falta de narrativa, mas excesso de rejeição. Em vez de consolidar apoio, a presença massiva de Lula nas redes tem servido para expor fragilidades, contradições e o cansaço de uma parcela crescente do eleitorado.
À medida que o calendário eleitoral avança, o ambiente digital — hoje amplamente crítico — tende a pesar ainda mais no debate público, dificultando a estratégia do Planalto de vender normalidade em um governo cada vez mais questionado.