O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), chamou de “idiotice” a tentativa de vincular os recentes incêndios florestais no Brasil ao agronegócio. Em entrevista ao Metrópoles, Lupion afirmou que é um erro insinuar que o setor agropecuário teria qualquer interesse nesses incêndios.
“Para nós do agro, é uma tragédia. Quando uma área agricultável queimada precisa ser recuperada, leva quase cinco anos para reverter o dano. É ridículo sugerir que o setor tenha qualquer interesse nisso”, afirmou Lupion.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que, entre 1º de janeiro e 9 de setembro de 2024, foram detectados 164.543 focos de calor em todo o Brasil, um aumento de 107% em relação ao mesmo período do ano passado.
“É um prejuízo gigantesco. Recentemente, uma usina em Minas Gerais e um frigorífico de frango no Paraná foram destruídos pelo fogo. A situação está completamente fora de controle”, destacou o presidente da FPA.
O Inpe revela que a Amazônia é o bioma mais afetado, com 82.437 focos de calor registrados neste ano, um aumento de 98% comparado ao ano anterior.
Atualmente, a Câmara dos Deputados está considerando dois projetos de lei que propõem aumentar a pena para 10 anos para quem provocar incêndios em florestas ou outras formas de vegetação.
A FPA publicou uma nota reafirmando seu compromisso em endurecer a legislação ambiental para punir os responsáveis pelos incêndios. Lupion enfatizou que os incêndios prejudicam diretamente a produção agropecuária no Brasil.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram gastos mais de R$ 38,6 milhões em 2024 para custear as operações de proteção dos biomas contra o fogo intencional.