O senador Jaques Wagner (PT-BA) confirmou que sugeriu o nome do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski para prestar serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. A declaração foi feita em meio ao avanço de apurações sobre contratos milionários firmados entre a instituição financeira e o escritório ligado ao ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.
Segundo Wagner, a direção do banco o procurou em busca de indicações de juristas após a aposentadoria de Lewandowski do STF. O senador afirmou que, diante da consulta, sugeriu o nome do ex-ministro, que acabou sendo contratado. O acordo, firmado em agosto de 2023, previa honorários mensais de R$ 250 mil, conforme revelou o portal Metrópoles.
Pagamentos após ingresso no governo
De acordo com informações de mercado, parte expressiva dos repasses — estimada em mais de R$ 5 milhões — teria continuado mesmo após Lewandowski assumir o Ministério da Justiça, em janeiro de 2024. Ao ingressar no governo, o ex-ministro deixou formalmente a sociedade do escritório e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Jaques Wagner negou ter participado da indicação de Guido Mantega para atuar no Banco Master, em resposta a suspeitas de que teria intermediado mais de uma contratação ligada à instituição. Ainda assim, a confirmação da indicação de Lewandowski reacendeu debates sobre a relação entre figuras políticas influentes e instituições financeiras.
A continuidade do contrato durante o exercício de cargo público ampliou questionamentos sobre governança e transparência. Lewandowski afirmou que cessou integralmente suas atividades na advocacia ao assumir o ministério.
O episódio tem gerado desconforto no Palácio do Planalto e reforçou preocupações no núcleo político do governo Luiz Inácio Lula da Silva quanto aos possíveis impactos do caso no cenário eleitoral.