Um levantamento divulgado domingo pelo site Poder360 revela um dado incômodo para o Palácio do Planalto: apesar de reunir mais governadores no papel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fica atrás quando o critério é peso eleitoral real. Já o senador Flávio Bolsonaro demonstra força justamente onde a eleição se decide — nos maiores colégios eleitorais do país.
Segundo o levantamento, Lula conta com o apoio de 12 governadores no primeiro turno de 2026, enquanto Flávio Bolsonaro tem o respaldo de cinco chefes do Executivo estadual. A diferença numérica, porém, engana. Os Estados administrados por aliados do campo bolsonarista concentram 57,3 milhões de eleitores, contra 53 milhões vinculados aos governadores alinhados ao presidente.
O peso de São Paulo, Minas e Rio
Entre os principais trunfos de Flávio Bolsonaro estão governadores de Estados decisivos:
- Tarcísio de Freitas (SP)
- Romeu Zema (MG)
- Cláudio Castro (RJ)
Juntos, esses três Estados formam o núcleo duro do eleitorado brasileiro. Analistas apontam que, historicamente, quem vence nesses colégios entra em vantagem decisiva na reta final da disputa presidencial.
Enquanto isso, a base de Lula está concentrada majoritariamente no Nordeste e no Norte, regiões onde o PT mantém desempenho consistente, mas que, do ponto de vista matemático, não compensam perdas nos grandes centros urbanos e econômicos do país.
Flávio cresce, Lula se mantém
A leitura do cenário indica que, em um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro tende a ampliar alianças, atraindo governadores hoje neutros ou cautelosos. Lula, por outro lado, deve preservar a base atual, mas encontra dificuldades para expandi-la fora de seus redutos tradicionais.
Esse movimento ocorre em meio ao desgaste do governo federal, marcado por economia fraca, juros altos, crise de confiança fiscal e conflitos culturais, fatores que enfraquecem a capacidade de Lula de formar consensos amplos.
A força de Bolsonaro
Mesmo fora do Planalto, o ex-presidente Jair Bolsonaro continua sendo um vetor central de influência política, especialmente entre governadores e eleitores dos maiores Estados. Flávio herda esse capital político e, até aqui, mostra capacidade de convertê-lo em apoio territorial relevante.
Governadores ainda sem posicionamento oficial — como Eduardo Leite, recém-filiado ao PSD — mantêm o cenário aberto. Mas o desenho atual das alianças indica um dado claro: Lula soma quantidade, Flávio soma peso.
Em uma eleição cada vez mais apertada, o mapa eleitoral importa mais do que o discurso — e, nesse mapa, o senador aparece em vantagem.