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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Fictor usou mansão para atrair petistas e tentar sabotar CPMI do INSS

Por Alexandre Gomes

Investigada pela Polícia Federal (PF) e com dívidas que somam cerca de R$ 4 bilhões, a empresa de investimentos Fictor alugou uma mansão no Lago Sul, em Brasília, que passou a funcionar como ponto de articulação política. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira, 10.

O imóvel teria sido utilizado tanto para encontros com integrantes do governo Lula quanto para uma reunião voltada à elaboração de um dossiê contra o advogado Eli Cohen, testemunha da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Antes de anunciar, em novembro de 2025, a tentativa de aquisição do Banco Master, a Fictor tinha baixa projeção fora do mercado financeiro. Segundo a reportagem, representantes da empresa buscavam ampliar influência em Brasília e viabilizar contratos com estatais.

Um dos episódios citados envolve o consultor da Fictor Felipe Alcântara, que teria promovido encontro entre o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) — então líder governista na CPMI — e o ex-policial civil Rogério Giglio. Este havia gravado ilegalmente conversa com Cohen e o acusou, na comissão, de solicitar dinheiro para depor contra o governo.

Posteriormente, Giglio se retratou em cartório e afirmou que a acusação era falsa. Ele declarou ter recebido pagamento de representantes da Fictor para mentir e produzir material contra o advogado.

Paulo Pimenta confirmou o encontro, mas disse desconhecer que o imóvel estivesse ligado à Fictor. Segundo o deputado, as informações apresentadas por Giglio despertaram desconfiança e só seriam consideradas caso formalizadas à PF.

Tentativa de proposta bilionária à Itaipu

A Fictor também teria buscado aproximação com a Usina Hidrelétrica de Itaipu para administrar um fundo de reserva estimado em até R$ 1 bilhão. A proposta chegou a ser discutida tecnicamente, mas não avançou porque a legislação determina que tais recursos sejam aplicados exclusivamente em bancos públicos.

A mansão do Lago Sul também sediou ao menos um evento político com a presença de integrantes do alto escalão do PT, entre eles Gleisi Hoffmann e Alexandre Padilha. O diretor-geral de Itaipu, Ênio Verri, também esteve no local. Gleisi afirmou que participou do encontro, mas negou qualquer discussão sobre propostas da empresa. Padilha declarou que jamais participou de reuniões com esse conteúdo.

Uso político do imóvel

O imóvel, com 497 metros quadrados, foi alugado por Luis Phillippi Rubini, ex-sócio da Fictor, até dezembro de 2025. Ele afirma ter deixado a empresa em 2024 e nega envolvimento nas articulações citadas. Atualmente, figura como credor da companhia, com R$ 35 milhões registrados em contratos.

Felipe Alcântara admitiu ter utilizado o local como espaço de articulação política. Segundo ele, recebia R$ 2,5 mil mensais, além de promessa de comissão sobre contratos fechados.

Oferta para acusar testemunha

Rogério Giglio relatou que foi contratado para produzir acusações contra Eli Cohen, incluindo alegações de que o advogado teria pedido propina para depor na CPMI. Ele disse que assinou depoimento falso e recebeu passagens para ir a Brasília.

Segundo Giglio, Alcântara teria prometido pagamentos mensais de até R$ 50 mil caso ele apresentasse provas contra Cohen. Alcântara confirmou a abordagem, mas afirmou que “blefou” ao oferecer valores para obter material.

O advogado Renato de Matteo Reginatto, citado como intermediário, negou ter oferecido qualquer vantagem e afirmou não poder comentar o caso por razões éticas.

Em declaração ao Estadão, Eli Cohen classificou os fatos como potencialmente graves e defendeu apuração rigorosa e responsabilização dos envolvidos, caso as narrativas sejam confirmadas.

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