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segunda-feira, 26 janeiro, 2026
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Ex-nora de Lula e ex-sócio de Lulinha atuaram como lobistas no Planalto, aponta UOL

Por Alexandre Gomes

O empresário Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), e Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estiveram no Palácio do Planalto ao menos dez vezes entre 2023 e 2025. As informações constam de reportagem publicada neste sábado (24) pelo portal UOL.

Segundo o veículo, Kalil Bittar e Carla Ariane recebiam pagamentos de um empresário interessado em obter influência junto ao governo federal, conforme apurações da Polícia Federal. Ambos são investigados na Operação Coffee Break, deflagrada em novembro do ano passado, que teve uma segunda fase em janeiro, com cumprimento de novos mandados.

De acordo com o UOL, as visitas de Bittar e Carla constam apenas nos registros da portaria do Planalto, sem lançamento em agendas oficiais do Executivo. Em pelo menos três ocasiões, os encontros teriam relação direta com o empresário André Gonçalves Mariano, dono da Life Educacional, também alvo das investigações.

Pagamentos e acesso ao governo

As apurações indicam que Kalil Bittar acompanhou Mariano em reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, chefe de gabinete do presidente, em dezembro de 2023. A facilitação de acesso ao governo teria sido remunerada por transferências que somaram R$ 210 mil entre 2022 e 2024. Dois dias após uma dessas reuniões, Mariano teria pago R$ 30 mil a Bittar.

A Polícia Federal aponta ainda que Mariano financiou viagens, pagamentos em dinheiro e até a aquisição de um veículo para Bittar. Carla Ariane, identificada nas investigações pelo codinome “Nora”, esteve no Planalto em 14 de maio acompanhada do empresário. Embora tenham chegado em horários diferentes, ambos viajaram no mesmo voo, custeado por Mariano.

Em 3 de dezembro de 2024, Carla voltou ao Planalto, dessa vez com Fernando de Moraes, então secretário de Educação de Hortolândia (SP). Novamente, as passagens aéreas teriam sido pagas por Mariano. Segundo o UOL, nenhum desses encontros constou em registros oficiais de compromissos.

Conexões familiares e histórico

As conexões familiares incluem ainda Kalil Bittar como irmão de Fernando Bittar, coproprietário do sítio de Atibaia, imóvel investigado na Operação Lava Jato. No âmbito desse caso, Lula chegou a ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, recebendo pena de 17 anos de prisão. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal anulou a condenação, o ex-presidente deixou a prisão e recuperou seus direitos políticos, sendo eleito novamente em 2022.

Outro lado

Em resposta ao UOL, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que receber representantes de entes públicos, do setor produtivo e da sociedade civil “faz parte do dever institucional dos funcionários federais”.

A defesa de Kalil Bittar confirmou a participação do empresário em reuniões no Planalto, mas negou que as visitas tivessem finalidade comercial. Os advogados de Carla Ariane afirmaram que as idas ao local foram “visitas de cortesia”, sem pautas técnicas ou políticas, destacando sua atuação na prefeitura de Hortolândia. Já o escritório de Fernando de Moraes informou que os encontros tiveram caráter informal e foram motivados por amizade com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do presidente.

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