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Empresa ligada ao Careca do INSS repassou quase R$ 600 mil a ex-ministro do STJ

Por Alexandre Gomes

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou transferências que somam R$ 595 mil para o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro. As informações constam em material enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo o Relatório de Inteligência Financeira, os valores tiveram origem na empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, que passou a ser investigada após receber recursos da Arpar Participações e Empreendimentos, companhia controlada por Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

O documento do Coaf detalha que a ACX ITC realizou três transferências, entre outubro de 2023 e outubro de 2024, que totalizaram R$ 445 mil ao escritório de advocacia que leva o nome de Nefi Cordeiro. Além disso, foi identificado um saque de R$ 150 mil, feito por meio de cheque nominal ao ex-ministro.

Os pagamentos ocorreram após a saída de Nefi Cordeiro do STJ, cargo que deixou em março de 2021.

Empresa é investigada por ocultação de recursos

A CPMI do INSS determinou a quebra do sigilo fiscal da ACX ITC. De acordo com investigações da Polícia Federal, a Arpar Participações funcionava como empresa de passagem, sendo utilizada para fragmentar fluxos financeiros, dificultar o rastreamento da origem dos recursos e ocultar beneficiários finais.

O requerimento aprovado pela comissão indica que a ACX ITC recebeu ao menos R$ 4,4 milhões da Arpar, valores agora sob análise dos parlamentares e investigadores.

Escritório nega irregularidades

Procurado, o escritório Nefi Cordeiro Advogados afirmou que os valores recebidos correspondem a honorários regulares por serviços jurídicos, prestados em processos judiciais, incluindo a interposição de recursos. Em nota, a banca declarou que não há qualquer relação entre os pagamentos e as investigações envolvendo o INSS, negando irregularidades.

O caso segue sob apuração no âmbito da CPMI, que analisa conexões financeiras entre empresas privadas, agentes públicos e o esquema bilionário de desvios em benefícios previdenciários.

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