A Eletronuclear pode enfrentar um colapso financeiro nas próximas semanas caso o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não defina o futuro da usina Angra 3. O alerta foi feito pelo presidente interino da estatal, Alexandre Caporal, em entrevista ao g1, ao afirmar que o caixa da empresa garante operação apenas até meados de março.
Segundo Caporal, a companhia tenta negociar com bancos públicos a suspensão temporária da cobrança de uma dívida de quase R$ 7 bilhões relacionada ao projeto. A medida, afirmou, permitiria preservar a sustentabilidade financeira da empresa enquanto o Conselho Nacional de Política Energética não decide sobre a continuidade ou não de Angra 3.
“Se não houver uma solução, seremos os Correios amanhã”, declarou o dirigente, ao comparar a situação com a crise enfrentada recentemente pela estatal postal.
As obras de Angra 3 estão paralisadas há cerca de dez anos. Em 2025, o ministro de Minas e Energia prometeu uma definição sobre o projeto, o que ainda não ocorreu. A pasta, que preside o CNPE, não informou quando o tema será levado à pauta do conselho.
Dívida bilionária pressiona caixa
Em 2024, os bancos já haviam concedido um alívio de seis meses na cobrança da dívida. Para Caporal, a prorrogação dessa trégua seria suficiente para que o CNPE tome uma decisão definitiva. Atualmente, o passivo do empreendimento consome cerca de R$ 800 milhões por ano. Somados aos custos de manutenção, os gastos com Angra 3 ultrapassam R$ 1 bilhão anuais.
“Se essa decisão for adiada até um momento de colapso, pode ser necessário um aporte para mitigar os efeitos danosos de um colapso financeiro”, afirmou.
O presidente interino alertou ainda para o risco de inadimplência com fornecedores e instituições financeiras. De acordo com ele, apenas uma solução estrutural para o impasse de Angra 3 pode garantir estabilidade à Eletronuclear no médio prazo.
“Qualquer outra medida será apenas a repetição de ações emergenciais de liquidez, como as adotadas no último ano e meio”, concluiu.