O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) publicou nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial que associa o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto. Após repercussão negativa, a postagem foi apagada, mas segue circulando em capturas de tela.
Na legenda, o parlamentar descreveu a montagem como “o retrato da roubalheira do Banco Master” e sugeriu a prisão dos envolvidos. A publicação foi alvo de críticas de jornalistas, políticos e advogados, que apontaram a ausência de provas e o uso de conteúdo falso.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) reagiu afirmando que acusações sem lastro deveriam ser objeto de investigação nos mesmos moldes de apurações sobre desinformação. Já o advogado Fabio Wajngarten criticou a conduta do partido e classificou a postagem como “vergonhosa”.
BC nega vínculo de Bolsonaro e Campos Neto com o caso
Apesar da associação feita por Rogério Correia, o Banco Central informou que não há, até o momento, indícios de falhas atribuíveis a Roberto Campos Neto na fiscalização do Banco Master durante sua gestão. Também não há elementos que indiquem ligação do ex-presidente Jair Bolsonaro com o caso.
Daniel Vorcaro foi preso no período em que foi decretada a liquidação extrajudicial do Banco Master. A instituição é investigada por suposta fabricação de Cédulas de Crédito Bancário sem lastro. Executivos do banco são apurados por possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional. Um dos clientes, o Banco de Brasília, também é alvo das investigações, que tramitam sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal.
Não é a primeira vez que integrantes do PT tentam associar o caso à gestão anterior do Banco Central. Na semana anterior, o ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, identificou rapidamente a gravidade da situação ao assumir o cargo e acionou o Ministério Público e a Polícia Federal. Segundo Haddad, não se trata de “má gestão”, mas de possível crime, e não teria havido diálogo prévio com a gestão anterior do Banco Central.