O deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP) alertou para os efeitos diretos que a crise política e de segurança na Venezuela pode provocar no Brasil. Segundo ele, a instabilidade no país vizinho, somada à pressão internacional sobre antigos integrantes do regime chavista, tende a empurrar fluxos migratórios desordenados e estruturas criminosas em direção ao território brasileiro.
Para o parlamentar, o Brasil corre o risco de se tornar rota preferencial de narcotraficantes, agentes do antigo regime e organizações criminosas, sobretudo por conta das fragilidades na legislação migratória e do baixo controle em regiões de fronteira, especialmente no Norte do país.
Fronteiras frágeis e riscos à segurança
Orléans e Bragança critica a atual política migratória brasileira, que, segundo ele, não diferencia refugiados legítimos de indivíduos ligados ao crime organizado. Na avaliação do deputado, o sistema permite que pessoas ingressem no país sem mecanismos rigorosos de verificação de identidade, histórico criminal ou vínculos com organizações ilícitas.
“O impacto vai transbordar para o Brasil de forma inevitável”, afirmou. Para ele, a fronteira brasileira com a Venezuela se tornou a mais acessível para quem busca escapar do cerco internacional, inclusive narcotraficantes e aliados políticos do antigo regime.
O parlamentar destaca que o modelo atual dificulta a deportação ou extradição de criminosos, já que, uma vez regularizados, passam a ter proteção legal no território nacional.
Migração humanitária x migração criminosa
O deputado faz questão de diferenciar migração humanitária legítima, formada por cidadãos que fogem da repressão, da migração criminosa, composta por integrantes do narcotráfico e estruturas políticas envolvidas em ilícitos. Segundo ele, a ausência dessa distinção coloca em risco a segurança nacional e sobrecarrega estados fronteiriços como Roraima.
Mudança na postura internacional
Orléans e Bragança também comentou mudanças recentes na política externa dos Estados Unidos em relação à Venezuela. Para ele, Washington passou a adotar uma postura mais pragmática e negociadora, focada em interesses estratégicos e segurança regional, o que pode reduzir a pressão direta por uma mudança imediata de regime.
Ainda assim, o deputado avalia que a ligação estrutural entre o regime venezuelano e o narcotráfico mantém o risco elevado de deslocamento de redes criminosas para países vizinhos, especialmente o Brasil.
Alerta ao governo brasileiro
O parlamentar defende revisão urgente da legislação migratória, reforço da fiscalização nas fronteiras e cooperação internacional em segurança. Para ele, ignorar o cenário venezuelano pode transformar o Brasil em destino involuntário de crises que não se originaram no país, mas que impactam diretamente a segurança, a economia e a estabilidade institucional.