Decisão do ministro altera dinâmica técnica da investigação e provoca reação interna na corporação
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), nomeou diretamente quatro peritos da Polícia Federal (PF) para atuar na extração de dados do material apreendido na Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master.
A escolha foi feita sem consulta à direção da PF, contrariando o procedimento habitual e surpreendendo investigadores. Foram designados Luís Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schrepel Delmutti. Segundo o despacho, os peritos terão “livre acesso ao material apreendido” e contarão com apoio direto da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Diante da medida, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, avaliam recorrer da decisão. Internamente, a corporação vê a iniciativa como interferência direta em atribuições técnicas da carreira pericial.
Mudanças sucessivas e críticas internas
Inicialmente, Toffoli havia restringido o acesso ao material à PGR. Em seguida, determinou que os bens apreendidos fossem lacrados e enviados ao STF. Agora, avançou ao impor peritos escolhidos por ele, sem participação institucional da PF.
Alerta sobre risco de perda de provas
A decisão de manter celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos lacrados e sob guarda do STF já havia gerado preocupação entre investigadores. O temor era de acesso remoto e possível destruição de dados sensíveis. Mesmo após alertas, o ministro manteve o material fora do alcance da PF.
Na quarta-feira (14), a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF, confiscando carros, celulares, uma arma e ao menos 20 relógios de grife. As diligências marcaram a segunda fase da Operação Compliance Zero. Além disso, houve sequestro e bloqueio de ativos que somam mais de R$ 5,7 bilhões, com ações em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.