Este é o primeiro grande protesto depois da captura do ex-ditador Nicolás Maduro durante uma intervenção militar dos EUA
A capital venezuelana registrou, nesta quinta-feira, 12, uma grande mobilização, pouco mais de um mês depois da captura do ex-ditador Nicolás Maduro em uma intervenção militar dos Estados Unidos.
O ato, que faz parte de manifestações organizadas em 17 Estados, antecede a análise de uma lei de anistia considerada histórica pelo país.
Uma multidão concentrou-se no entorno da principal universidade de Caracas, respondendo a um chamado estudantil para o Dia Internacional da Juventude.
Paralelamente, o movimento chavista organizou uma manifestação própria no centro da cidade, reunindo diversos participantes, conforme relato de jornalistas da AFP.
_🚨Venezuela 🇻🇪: Protestos em várias cidades da Venezuela nesta quinta (12) contra a repressão política e para exigir a libertação de todos os prisioneiros políticos. _pic.twitter.com/ijHXv60x7M
_— Ivan Kleber (@lordivan22) _February 12, 2026
Pressão por anistia
Na Praça da Reitoria da Universidade Central da Venezuela (UCV), estudantes e parentes de presos políticos exigiram a aprovação imediata da anistia e a libertação de todos os detidos por razões políticas.
A ONG Foro Penal calcula que mais de 600 pessoas seguem presas, apesar do processo de indultos iniciado em 8 de janeiro.
_Antes de 3 de janeiro, manifestações desse tipo, exigindo a libertação total dos presos políticos na Venezuela, seria respondida com violência e brutalidade pelo regime chavista que na época era liderado por Maduro. Mas hoje, com o ditador preso e o regime chavista remanescente… _pic.twitter.com/MZ7m2K5MTu
_— Hoje no Mundo Militar (@hoje_no) _February 12, 2026
Desde cedo, centenas de universitários compareceram com faixas e bandeiras, reivindicando transparência no Legislativo e a garantia de que prisões motivadas por razões políticas não voltem a ocorrer.
Uma faixa trazia o apelo: “Anistia já!”, enquanto manifestantes entoavam: “Nem um, nem dois: que todos sejam soltos!”.
A líder opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, afirmou no X: “A Venezuela será livre! Viva os nossos estudantes!.”
VENEZUELA SERÁ LIBRE!
_Que vivan nuestros estudiantes! _pic.twitter.com/wXhZaBL7Na_— María Corina Machado (@mariacorinaya) _February 12, 2026
Representantes estudantis destacam que mais de 200 jovens e vários professores permanecem presos por questões políticas.
Eles cobram que a anistia inclua todos os afetados pelo regime chavista desde 1999, ano em que o ditador Hugo Chávez assumiu o poder, até os dias atuais, ressaltando o impacto das prisões de Maduro e de Cília Flores em 3 de janeiro.
Debate parlamentar e critérios da lei de anistia
No Parlamento, deputados iniciam nesta quinta-feira, 12, a etapa final do debate sobre a lei de anistia geral, que prevê a libertação de presos políticos em larga escala.
A presidente interina Delcy Rodríguez, no cargo desde a detenção de Maduro, conduziu o processo sob pressão dos Estados Unidos e do presidente Donald Trump, que agora controla o petróleo venezuelano.
Depois de assumir o governo, Delcy Rodríguez propôs a soltura de mais de 400 detidos, concedendo-lhes liberdade condicional.
Especialistas acreditam que a nova anistia pode ampliar ainda mais o número de beneficiados, sem exigências específicas.
Organizações de direitos humanos, entretanto, cobram clareza quanto aos critérios para concessão do benefício.
Segundo o texto em análise, ficam excluídos da anistia aqueles envolvidos em violações graves de direitos humanos, crimes contra a humanidade, homicídios dolosos, tráfico de drogas com pena superior a nove anos e crimes contra o patrimônio público.
O governo classifica a proposta como ambiciosa e capaz de representar uma mudança significativa no cenário político.