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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Venezuelanos rejeitam anistia parcial para presos políticos

Por Alexandre Gomes

Mobilização em Caracas amplia pressão sobre regime chavista em meio a impasse legislativo

Centenas de manifestantes se reuniram no centro de Caracas, nesta terça-feira, 10, para exigir a libertação total de opositores ainda detidos na Venezuela. Liderada por familiares, juristas e ex-presos políticos, a mobilização enfrentou o bloqueio de forças de segurança nas imediações dos edifícios do regime chavista.

Apesar das restrições, o grupo conseguiu ocupar o entorno da Assembleia Nacional e adiar a votação da controversa Lei de Anistia proposta pela ditadura venezuelana.

Segundo os manifestantes, o texto da lei não garante liberdade para todos os detidos por motivação política. Além disso, não prevê reparações às vítimas nem estabelece mecanismos contra a repetição das violações de direitos humanos.

#10Feb_ | Familiares de presos políticos protestaron en las inmediaciones de la Asamblea Nacional en el centro de Caracas, para exigir que sean liberados._

_”Son más de la mitad de presos políticos que quedarían excluidos en esta Ley de Amnistía si se aprueban sin escuchar a las… _pic.twitter.com/7UTvilF6Rj

_— Caraota Digital (@caraotadigital) _February 10, 2026

Na véspera dos protestos, o regime já havia anunciado a suspensão da sessão legislativa, que foi remarcada para esta terça-feira.

Detenção de opositor alimenta desconfiança entre familiares de presos políticos

Andreína Baduel, filha do general Raúl Isaías Baduel, morto na prisão e ex-ministro da Defesa de Hugo Chávez, representou uma das vozes mais duras contra o projeto.

Ela lembrou que sua família soma 18 anos de perseguição política. Um de seus irmãos, Raúl Emilio, foi libertado e exilado. Outro, Josnar, permanece detido em El Rodeo.

“A Lei de Anistia, na forma atual, excluiria mais da metade dos presos políticos”, disse Andreína. “Não chegamos a esse ponto por escolha própria. Há anos apelamos às instituições estatais para que criem mesas de diálogo com observadores internacionais, mas elas optaram por seguir violando os direitos humanos.”

O clima de desconfiança aumentou com a nova prisão do opositor Juan Pablo Guanipa. O regime o libertou no domingo 8, mas os agentes o prenderam novamente à noite, depois que ele participou de caravanas em defesa dos presos políticos.

#AEstaHora_ | Venezolanos alzan la voz frente al Palacio Legislativo en Caracas en exigencia de libertad plena para todos los presos políticos y fe de vida inmediata de quienes se encuentran en desaparición forzosa_#Venezuela_ _#10Feb
_Fotos @‌clippve _pic.twitter.com/tFKvzTRZ8a

_— Jessica Vallenilla (@la_katuar) _February 10, 2026

O paradeiro de Guanipa permaneceu desconhecido por horas. Apenas na terça-feira, seu filho Ramón informou que ele estava sob prisão domiciliar em Maracaibo, no Estado de Zulia. “Meu pai está em casa, mas ainda é um preso injustamente condenado”, disse.

Além de Guanipa, os líderes da oposição Freddy Superlano e Perkins Rocha também receberam prisão domiciliar. Todos são aliados de María Corina Machado, que segue proibida de disputar eleições e sofre bloqueios judiciais mesmo depois de decisões internacionais favoráveis.

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