Decisão comunicada a Mark Carney ocorre em meio a críticas sobre dependência militar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o convite feito ao Canadá para integrar o recém-criado Conselho de Paz. O anúncio ocorreu nesta quinta-feira, 23, por meio de uma publicação na rede Truth Social, endereçada ao primeiro-ministro Mark Carney.
Na mensagem, Trump informou que o governo canadense não poderá mais participar do grupo. O presidente afirmou que o conselho reunirá líderes políticos, diplomáticos e empresários de diversos países. Ele também declarou que comandará a iniciativa.
Em carta dirigida a Carney, Trump escreveu: “Caro primeiro-ministro Carney: esta carta serve para informar que o Conselho de Paz está retirando o convite feito ao senhor para que o Canadá integre o que será, a qualquer momento, o mais prestigioso Conselho de Líderes já reunido”.
A criação do órgão foi apresentada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Trump divulgou o conselho durante um discurso, seguido de cerimônia de assinatura, com representantes da América Latina, da Europa, do Oriente Médio e da Ásia no palco.
Críticas de Trump e reação canadense
A retirada do convite ocorreu um dia depois de Trump defender maior controle norte-americano sobre a Groenlândia. Ele relacionou a proposta à instalação de um sistema de defesa antimísseis chamado “Cúpula Dourada”, que, segundo ele, também protegeria o Canadá.
Durante o evento em Davos, Trump afirmou: “Estamos construindo uma Cúpula Dourada, que, pela própria natureza, vai proteger o Canadá”. Em seguida, disse que o país vizinho se beneficia da segurança oferecida pelos Estados Unidos e declarou: “O Canadá recebe muitas vantagens de nós. Eles também deveriam ser gratos”.
O presidente ainda criticou a postura do governo canadense: “Eu assisti ao seu primeiro-ministro ontem. Ele não demonstrou gratidão. Eles deveriam ser gratos a nós. O Canadá existe por causa dos Estados Unidos. Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações”.
Carney não citou Trump nominalmente em pronunciamento recente. Ainda assim, ressaltou que a ordem internacional baseada em regras enfrenta desgaste. Segundo ele, grandes potências usam instrumentos econômicos e de segurança para pressionar aliados. O premiê afirmou que países de médio porte precisam encarar um alerta e destacou que o cumprimento de regras não garante segurança.
Trump informou que o Conselho de Paz contará com integrantes do governo e do setor privado. Entre os nomes citados estão o secretário de Estado, Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o empresário Marc Rowan e Jared Kushner.
O presidente também convidou Rússia, Belarus, França, Alemanha, Vietnã, Finlândia, Ucrânia, Irlanda, Grécia, Israel e China para integrarem o conselho.