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quarta-feira, 28 janeiro, 2026
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Trump encerra financiamento federal para pesquisas com tecido fetal

Por Alexandre Gomes

O posicionamento foi elogiado por grupos contrários ao aborto e criticado por pesquisadores

O governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, determinou na quinta-feira 22, o fim do financiamento federal para estudos que utilizam tecido fetal doado depois de abortos. O Instituto Nacional de Saúde (NIH) justificou a medida como parte do compromisso de apoiar tecnologias inovadoras que reflitam tanto a ciência atual quanto os valores norte-americanos, segundo declarou Jay Bhattacharya, diretor do órgão.

O posicionamento foi elogiado por grupos contrários ao aborto e criticado por pesquisadores, que apontam impacto negativo no avanço do conhecimento sobre desenvolvimento humano e possíveis tratamentos médicos. A decisão retoma uma política do primeiro mandato de Donald Trump, revertida durante a administração de Joe Biden. O Projeto 2025, plano político divulgado pela Fundação Heritage, já destacava a restrição como objetivo para um eventual segundo mandato de Trump.

Reações políticas e científicas à decisão de Trump

A senadora Cindy Hyde-Smith classificou a decisão como “bem-vinda mudança política que alinha o avanço científico com nossos valores”. Para ela, representa um entendimento de que o desenvolvimento médico pode ocorrer por métodos inovadores e éticos. Cientistas, no entanto, dizem que a pesquisa com tecido fetal é insubstituível para determinadas áreas.

Tomasz Nowakowski, neurocientista da Universidade da Califórnia, em São Francisco, alerta para o fato de que a alteração representa um retrocesso para a ciência dos EUA. Ele afirma: “Se queremos entender as origens desses distúrbios e desenvolver possíveis terapias, precisamos criticamente de pesquisas diretamente em tecido cerebral humano”.

Nowakowski considera o uso do tecido fetal um “privilégio extremo”, feito sob rigorosas normas éticas, e afirma que modelos laboratoriais, como organoides cerebrais, não captam toda a complexidade do cérebro em formação. O pesquisador ressalta que certos tipos celulares descobertos em seu laboratório não aparecem em modelos alternativos, o que limita a compreensão de doenças como o autismo ou tumores cerebrais.

Steven Finkbeiner, diretor do Centro de Sistemas e Terapêutica do Gladstone Institutes, também destaca que nenhum modelo substitui totalmente a biologia humana e espera encontrar outras fontes de financiamento para continuar seus estudos sobre Alzheimer e síndrome de Down.

Debate sobre alternativas e ética na pesquisa

Segundo o NIH, apenas 77 projetos que envolvem tecido fetal foram financiados em 2024, e o número vem diminuindo desde 2019. O órgão defende a ideia de que os avanços em organoides, chips de tecido e biologia computacional oferecem alternativas robustas e com menos dilemas éticos.

Por outro lado, Lawrence Goldstein, professor emérito da Universidade da Califórnia, em San Diego, e ex-integrante do Conselho Consultivo de Ética do NIH, discorda. Ele argumenta que o tecido fetal é essencial para garantir que modelos alternativos repliquem fielmente o desenvolvimento humano. “É apenas lógica direta e pensamento sobre padrões científicos rigorosos”.

O padre Tadeusz Pacholczyk, bioeticista do Centro Nacional Católico de Bioética, considera a mudança positiva e diz que governos anteriores falharam em impor barreiras éticas ao uso de tecido fetal em pesquisas financiadas pelo NIH.

“Várias administrações norte-americanas anteriores deixaram cair a bola ética quando se tratava de permitir que tecidos fetais humanos de abortos eletivos fossem usados em investigações científicas financiadas pelo NIH”, disse Pacholczyk à Reuters.

Tyler Lamb, diretor de políticas da Sociedade Internacional de Pesquisa com Células-Tronco, enfatiza a importância da pesquisa com tecido fetal para o entendimento do desenvolvimento humano e para a criação de vacinas e medicamentos. Ele afirma que a nova política do NIH irá privar os cientistas de uma ferramenta fundamental, dificultando avanços em tratamentos que beneficiam pacientes.

“A nova política do NIH de encerrar esta pesquisa conduzida de forma responsável e eticamente regulamentada negará aos pesquisadores uma ferramenta científica essencial, retardando a descoberta e atrasando os esforços para avançar tratamentos e intervenções que beneficiam diretamente os pacientes”, declarou Lamb.

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