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quarta-feira, 7 janeiro, 2026
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Trump captura Maduro, redefine a política dos EUA na região e pressiona o Brasil

Por Alexandre Gomes

Operação contra o ditador venezuelano sinaliza reinvenção da Doutrina Monroe, redesenha a estratégia dos EUA na América Latina e expõe a fragilidade diplomática do governo Lula

A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, anunciada na madrugada deste sábado (3), representa um marco histórico na política externa americana e um divisor de águas na relação de Washington com a América Latina. A operação confirma que o presidente Donald Trump decidiu abandonar definitivamente a diplomacia passiva e reassumir, de forma explícita, o papel de liderança estratégica no hemisfério ocidental.

Maduro foi detido em território venezuelano e levado aos Estados Unidos para responder a acusações de narcoterrorismo, após semanas de sanções, pressão diplomática e movimentações militares no Caribe. Em pronunciamento oficial, Trump afirmou que a ação inaugura uma fase mais assertiva da política americana, deixando claro que regimes autoritários associados ao crime organizado não serão mais tolerados na região.

A ofensiva materializa, na prática, os pilares da nova Estratégia Nacional de Segurança dos EUA, divulgada no fim de 2025, frequentemente descrita por analistas como uma reinvenção moderna da Doutrina Monroe. O princípio, formulado no século 19, volta agora com contornos atualizados: os Estados Unidos não aceitarão que a América Latina seja capturada por ditaduras, cartéis de drogas ou potências hostis como Rússia e China.

Doutrina Monroe atualizada e integração econômica no horizonte

Além do componente militar e de segurança, a estratégia de Trump também possui uma dimensão econômica clara. Nos bastidores, a leitura predominante em Washington é que o reposicionamento americano abre espaço para uma reorganização das relações comerciais no continente, inclusive com a retomada de discussões em torno de uma área de livre comércio hemisférica — uma espécie de ALCA reformulada, agora sob bases mais pragmáticas, bilaterais e alinhadas à segurança continental.

A lógica é simples: segurança, combate ao narcotráfico e integração econômica caminham juntas. Países que cooperarem com os EUA terão acesso ampliado a investimentos, acordos comerciais e cadeias produtivas. Já governos que insistirem em alianças ideológicas com regimes autoritários tendem a ser isolados.

Nesse cenário, a captura de Maduro funciona como um recado inequívoco: o tempo da condescendência acabou.

Trump lidera; Lula relativiza

O contraste com o governo Lula é evidente. Enquanto Trump age com firmeza, Lula reage com previsibilidade ideológica. O presidente brasileiro condenou publicamente a operação americana, alegando violação da soberania venezuelana — ignorando que o chavismo destruiu instituições, perseguiu opositores, fraudou eleições e transformou a Venezuela em um polo do narcotráfico internacional.

Nos últimos meses, Lula vinha tentando melhorar sua relação com Washington, mas sem abrir mão de sua tradicional complacência com ditaduras de esquerda. A captura de Maduro expõe o limite dessa estratégia ambígua e coloca o Brasil em posição desconfortável diante do novo ambiente geopolítico do continente.

Brasil sob alerta: segurança frágil e escolhas erradas

O impacto imediato da operação foi sentido na fronteira norte do Brasil. Autoridades venezuelanas chegaram a anunciar o fechamento temporário da passagem terrestre com Roraima, principal porta de entrada de venezuelanos no país desde o colapso econômico promovido pelo chavismo. Embora o bloqueio tenha sido revertido poucas horas depois, o episódio reforçou preocupações com segurança, imigração e crime transnacional.

Apesar disso, o governo Lula insiste em minimizar essas ameaças. O Brasil segue se recusando a classificar facções como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, ao contrário de países como Argentina e Paraguai. A política petista evita confrontar o crime organizado enquanto mantém um discurso diplomático desalinhado das prioridades reais do continente.

Recado claro de Washington

A captura de Maduro recoloca a América Latina no centro da agenda estratégica dos Estados Unidos e deixa claro que a liderança americana voltou a ser exercida de forma direta. Trump demonstra que prefere ações concretas a discursos vazios — e que segurança, soberania e integração econômica fazem parte do mesmo pacote.

Para o Brasil, o alerta é evidente: insistir em relativizar ditaduras e ignorar o avanço do crime organizado pode custar caro em um continente que começa a se reorganizar sob novos critérios de poder, cooperação e responsabilidade.

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