Presidente norte-americano pressiona governo canadense a certificar empresa Gulfstream Aerospace
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 29, que vai impor uma tarifa de 50% sobre “qualquer e toda aeronave vendida” do Canadá para os EUA, caso o país vizinho continue a se recusar a certificar certos jatos da empresa norte-americana Gulfstream Aerospace.
Trump também informou que pretende suspender a certificação dos jatos executivos Bombardier Global Express e de outros modelos produzidos no Canadá.
“Estamos, por meio deste, descertificando seus Bombardier Global Expresses e todas as aeronaves fabricadas no Canadá, até que a Gulfstream, uma grande empresa norte-americana, seja totalmente certificada, como deveria ter sido há muitos anos”, escreveu Trump na Truth Social. “Além disso, o Canadá está efetivamente proibindo a venda de produtos Gulfstream no Canadá através deste mesmo processo de certificação.”
A Bombardier, maior fabricante de aviões do país, informou que mantém conversas com o governo canadense e destacou o impacto potencial da medida. A empresa disse que “milhares de jatos privados e civis construídos no Canadá voam nos EUA todos os dias”.
“Esperamos que isso seja resolvido rapidamente para evitar um impacto significativo no tráfego aéreo e no público”, disse a Bombardier em nota enviada à imprensa norte-americana. A companhia também disse que emprega cerca de 3 mil pessoas nos EUA, distribuídas em nove unidades, além de manter investimentos em expansão no território americano.
Esta não é a primeira vez que Trump ameaça o Canadá com tarifas sobre o setor. No primeiro mandato, em 2017, o Departamento de Comércio dos EUA impôs taxas ao jato CSeries da Bombardier, com a alegação de que havia concorrência desleal.
Posteriormente, a Comissão de Comércio Internacional dos EUA concluiu que a fabricante canadense não causava prejuízo à indústria doméstica.
Relações comerciais entre EUA e Canadá
O anúncio de tarifas faz parte de um contexto mais amplo de tensões comerciais entre EUA e Canadá. Há uma semana, Trump já havia advertido que poderia aplicar tarifa de 100% sobre produtos importados do Canadá caso houvesse avanço em acordo comercial canadense com a China.
No Fórum Econômico Mundial em Davos, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, criticou práticas de coerção econômica de grandes potências, sem citar Trump diretamente.
O presidente norte-americano respondeu à crítica ao acusar Carney de ingratidão. Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, Carney teria se desculpado com Trump pelas declarações.