Premiê britânico sabia das suspeitas de conexão de Peter Mandelson com o magnata
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer afirmou lamentar ter acreditado nas “mentiras” do ex-embaixador Peter Mandelson, ligado ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, antes de nomeá-lo enviado do Reino Unido a Washington. A indicação ocorreu em dezembro de 2024.
Starmer está sob forte pressão — inclusive dentro do Partido Trabalhista — por ter feito a nomeação mesmo com vínculos conhecidos de Mandelson.
Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA indicam proximidade entre Mandelson e Epstein e sugerem vazamento de documentos governamentais, além de registros de pagamentos a Mandelson ou ao então parceiro, hoje marido.
“Era público que Mandelson conhecia Epstein, mas não a profundidade e a obscuridade dessa relação”, disse Starmer em discurso no sul da Inglaterra.
Ex-embaixador ligado a Epstein renunciou nesta semana
Mandelson, ex-ministro trabalhista, renunciou ao assento na Câmara dos Lordes na terça-feira 3 e passou a ser investigado pela polícia por suposta má conduta no cargo. Ele disse não se lembrar de pagamentos e não comentou as acusações de vazamento. Também não respondeu a pedidos de comentário da imprensa.
Aliados e opositores de Starmer afirmam que o caso levanta dúvidas sobre seu discernimento. Pesquisas apontam alta impopularidade do premiê, e integrantes do partido dizem que sua posição está ameaçada.
“Às vítimas de Epstein: sinto muito… por ter acreditado nas mentiras de Mandelson e por tê-lo nomeado”, declarou Starmer. O premiê disse querer divulgar as recomendações recebidas na seleção do enviado, mas afirmou que atende a pedido da polícia para não prejudicar a investigação.
Em 30 de janeiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou mais de 3 milhões de páginas dos arquivos da investigação contra Jeffrey Epstein. Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, o material inclui mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens, com “grandes quantidades de pornografia comercial”.