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sexta-feira, 20 fevereiro, 2026
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Prisão de Andrew quebra jejum de 350 anos na Família Real

Por Alexandre Gomes

Detido sob suspeita de má conduta em cargo público, o ex-príncipe é o primeiro membro da realeza levado sob custódia na era moderna

A detenção de Andrew Mountbatten-Windsor nesta quinta-feira, 19, marca um evento sem precedentes na história contemporânea da Família Real britânica. O ex-membro da realeza foi preso em Sandringham, Norfolk, sob a acusação de má conduta em cargo público, crime que prevê pena máxima de prisão perpétua. Andrew, que renunciou a seus títulos e deveres em outubro passado e nega qualquer irregularidade, torna-se o primeiro integrante da linhagem monárquica levado sob custódia policial desde o século 17.

Antes deste episódio, a última detenção de um membro da realeza ocorreu durante a Guerra Civil Inglesa. Em 1649, as forças parlamentares capturaram o rei Carlos I, que enfrentou o julgamento por traição e o carrasco. Na era moderna, o máximo que a realeza havia enfrentado eram infrações menores de trânsito ou incidentes isolados, o que torna o caso de Andrew uma crise jurídica de proporções históricas para o Palácio de Buckingham, mesmo depois de seu afastamento formal da Coroa.

Fotos e e-mails comprometedores com Epstein

A prisão ocorre em meio a novas revelações explosivas do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Arquivos liberados recentemente mostram fotos de Andrew ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão e imagens de sua mão sobre o abdômen dela. Além das fotografias, foram divulgados e-mails de 2010 nos quais o pedófilo condenado Jeffrey Epstein convida o ex-príncipe para encontrar uma jovem russa de 26 anos. Nas mensagens, Andrew sugere um jantar no Palácio de Buckingham para garantir “muita privacidade”, enquanto Epstein reforça a necessidade de “tempo privado” para a dupla.

O histórico de infrações e encontros com a lei

Nas últimas décadas, os integrantes da Família Real acumularam apenas delitos leves. A Justiça processou a princesa Anne em 2002 logo que seu cão mordeu dois meninos em um parque em Windsor, o que rendeu à integrante da realeza uma multa de £ 500. Anne também foi flagrada em excesso de velocidade em 2001, assim como sua filha, Zara Tindall, que perdeu o direito de dirigir por seis meses em 2020 pelo mesmo motivo.

Outro caso de repercussão envolveu o príncipe Philip, em 2019, quando seu veículo capotou em uma colisão perto de Sandringham. Aos 97 anos, Philip entregou sua licença de dirigir para evitar processos criminais. Em 2005, a polícia interrogou o rei Charles III — então príncipe de Gales — na condição de testemunha, durante uma investigação sobre as teorias acerca da morte da princesa Diana. Nenhum desses episódios, contudo, resultou em voz de prisão ou custódia em celas policiais.

De Carlos I às rainhas Tudor: o passado sombrio da Família Real

Para encontrar paralelos à situação de Andrew, é preciso recorrer aos períodos mais turbulentos da história britânica. Carlos I passou por diversos castelos como prisioneiro antes de enfrentar o cadafalso em Whitehall. No período Tudor, as mulheres de Henrique VIII, Ana Bolena e Catarina Howard, enfrentaram acusações legais severas que culminaram em suas decapitações.

Outro registro notável envolve Maria, rainha dos escoceses, que enfrentou 19 anos de cárcere em diferentes castelos ingleses entre 1568 e 1587, logo que opositores a forçaram a abdicar ao trono. Ao contrário do tratamento especial que os prisioneiros reais do passado recebiam, especialistas revelam que Andrew Mountbatten-Windsor dificilmente terá privilégios caso a polícia de Thames Valley o mantenha em uma cela comum durante o avanço das investigações, especialmente porque o ex-membro da realeza não goza mais do status de integrante ativo da monarquia.

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