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quarta-feira, 25 março, 2026
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‘Preppers’: conheça o grupo de preparação para catástrofes

Por Alexandre Gomes

Movimento no Reino Unido reúne pessoas que buscam autonomia diante de riscos como apagões, instabilidade social e falhas em serviços essenciais

O prepping, um movimento global voltado à preparação para possíveis colapsos, parciais ou totais, da sociedade, pode remeter a cenários caricatos, como bunkers nucleares ou kits para um apocalipse zumbi, à primeira vista. A realidade, entretanto, é bem menos cinematográfica.

No interior do País de Gales, a atividade se mostrou mais pragmática e distante dos estereótipos, segundo reportagem da emissora britânica BBC. A prática envolve, em geral, o armazenamento de alimentos e o aprendizado de habilidades de sobrevivência.

Morador de Builth Wells, Leigh Price, de 51 anos, afirma que não se prepara para ameaças fantasiosas, mas para riscos concretos. “Todo mundo acha que um prepper é algum tipo de maluco de chapéu de alumínio”, disse à BBC. “Não me entenda mal, há alguns por aí. Mas muitos dos estereótipos vêm dos Estados Unidos; no Reino Unido, é totalmente diferente.”

Ex-militar e pai de três filhos, Price hoje administra uma loja especializada em prepping e oferece cursos na zona rural de Powys. O espaço reúne equipamentos variados, de ferramentas básicas a itens de sobrevivência mais robustos.

Para ele, o foco deve estar em ameaças plausíveis. “Algumas pessoas estão se preparando para o fim do mundo ou um ataque nuclear. Eu sempre digo: não é impossível, mas é altamente improvável”, afirmou. “É melhor se preparar para o que tem mais chance de acontecer.”

Entre os riscos mais prováveis, Price cita ataques cibernéticos capazes de derrubar redes elétricas. “Se isso acontecer, voltamos à Idade da Pedra, pelo menos por alguns dias.” Para ele, o colapso de serviços pode gerar pânico social: “As pessoas tendem a fazer coisas desesperadas. Pode haver saques, brigas, incêndios. Como você se prepararia para isso?”

Price também contesta a ideia de fuga para áreas isoladas como estratégia principal. “Muitos acham que sobreviveriam como Rambo na natureza, mas, depois de alguns dias de vento, chuva e frio, vão pensar duas vezes.” A recomendação dele é fortalecer a segurança do próprio local ou buscar abrigo em um ambiente seguro, como a casa de conhecidos.

O ex-militar ressalta que os preppers não formam um grupo homogêneo ou radicalizado. “São pessoas comuns, de todas as origens e espectros políticos, que têm o básico para sobreviver por semanas sem depender de supermercados ou do governo”, disse.

O interesse de Price pelo tema se intensificou depois da pandemia de covid-19. “Pensei: vou fazer algo em outro lugar, mesmo que isso aconteça de novo, assim ainda posso sustentar minha família”, afirmou. Ele estima ter gasto “algumas milhares de libras” com equipamentos.

Apesar disso, diz não ser obcecado pelo tema e dedicar cerca de uma hora por semana à manutenção dos itens. Em áreas rurais, como onde vive, a dependência de recursos básicos é um fator adicional. “Se faltar energia, você também pode ficar sem acesso à água potável, a menos que consiga purificá-la”, explicou.

A estratégia, segundo ele, não depende de um cenário específico. “Se você está bem preparado e organizado em casa, não importa o que aconteça, você consegue lidar com isso”, disse. Em deslocamentos, recomenda itens simples: “Um kit de primeiros socorros, uma lanterna, um casaco impermeável, além de papel e caneta”.

Outro ponto central é a construção de redes de apoio. “Prosperamos vivendo juntos; ninguém vai sobreviver sozinho”, afirmou. “Em situações extremas, é melhor cooperar.” Segundo Price, encontros de preppers no País de Gales se tornaram mais frequentes nos últimos anos.

Prepping ganhou força depois da pandemia

A britânica Donna Lloyd, de 60 anos, compartilha dessa visão. Ela passou a se preparar depois de um apagão durante o lockdown. “Foi um estalo. Me senti vulnerável e um pouco boba”, relatou. “Pensei: posso comprar um fogareiro de acampamento. Posso fazer isso.”

Hoje, ela mantém estoques de água, alimentos e itens essenciais. “Não me preparo para algo específico, mas sei que alguma coisa pode acontecer”, afirmou. Donna destaca a diversidade dentro do movimento. “Existe um espectro, desde quem tem abrigos antinucleares até quem apenas carrega uma lanterna. Eu fico em algum ponto no meio.”

Para ela, o preparo não impede uma rotina normal. “Há maneiras de se preparar e ainda assim viver normalmente. Mesmo fora de casa, é possível improvisar”, afirmou. Entre os itens que carrega, está uma ferramenta compacta de sobrevivência.

Ela defende ainda o desenvolvimento de habilidades práticas. “Não se trata só de fazer fogo, mas de entender os elementos necessários. Isso aumenta a confiança e a sensação de controle”, disse.

Leigh Price resume a lógica do movimento: “Tendo suprimentos básicos, você se sente melhor do que quem não tem nada. Um ditado comum é: ‘é melhor ter e não precisar do que precisar e não ter’.”

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