O socialista António José Seguro e o direitista André Ventura avançam à disputa final marcada para 8 de fevereiro
Pela primeira vez em mais de quatro décadas, a eleição presidencial em Portugal será definida em segundo turno. A votação do primeiro turno aconteceu neste domingo, 18, depois de uma disputa que reuniu candidatos da esquerda, do centro-direita e da direita.
A apuração teve início logo depois do fechamento das urnas, às 19h no horário local. Com 100% dos votos contabilizados, o socialista António José Seguro liderou o pleito, com 31,13%, assegurando presença na rodada final.
Em segundo lugar ficou André Ventura, da direita, com 23,49%. Já João Cotrim Figueiredo, do centro-direita, obteve 15,99% e ficou fora do segundo turno. Mesmo antes da oficialização completa do resultado, Seguro e Ventura celebraram a classificação.
_Parece que vamos à 2° volta!💪 _pic.twitter.com/ArI6LTRclS
— André Ventura (@andrecventura)January 18, 2026
O candidato da direita, líder do partido Chega, afirmou estar preparado para a disputa decisiva. Já o socialista fez um discurso sobre um debate político centrado em propostas e nas prioridades da população.
“Hoje, com a nossa vitória, venceu a democracia, e voltaremos a ganhar no dia 8 de fevereiro. Convido todos os democratas e progressistas a se unirem na luta contra o ódio e a discriminação”, afirmou Seguro em discurso.
O segundo turno está marcado para 8 de fevereiro. A confirmação de uma nova rodada quebra uma tradição de 40 anos, período em que todas as eleições presidenciais portuguesas haviam sido resolvidas ainda no primeiro turno, e evidencia o alto grau de polarização da disputa.
Cerca de 11 milhões de eleitores participaram do pleito, realizado menos de um ano depois das eleições legislativas que renovaram o Parlamento e definiram o atual primeiro-ministro. O processo eleitoral é considerado um dos mais fragmentados da história recente do país.
Governo de Portugal é de regime semipresidencialista
Portugal adota o sistema semipresidencialista, no qual o presidente da República atua como chefe de Estado, com funções majoritariamente cerimoniais. Já o comando do governo cabe ao primeiro-ministro.
Em momentos de crise política, contudo, o presidente assume maior protagonismo institucional. Ele passa a ter poderes para comandar as Forças Armadas, dissolver o Parlamento, destituir o governo e convocar novas eleições.
O cargo é ocupado há quase dez anos por Marcelo Rebelo de Sousa. Impedido pela Constituição de disputar um terceiro mandato consecutivo, ele convocou o novo pleito e abriu caminho para uma disputa inédita pelo Palácio de Belém.